Categoria: Comportamento

75 anos da morte de Freud

No último dia 23 de setembro, completaram-se 75 anos da morte de Sigmund Freud.
O que teria isto a ver conosco, ainda?

Um pensador que nos diz, entre outras coisas, que viver é trabalhar conflitos; que somos movidos por desejos narcísicos, sempre frustrados; que nossa sexualidade é perturbadora e não está a serviço da reprodução, configurando-se de forma extremamente diversa. Bem, este é um pensador que fala conosco hoje.

Há dois filmes importantes sobre a vida Freud. Um Chamado Freud (1960), de John Huston. O roteiro foi feito inicialmente pelo filósofo Jean Paul Sartre. Mas como o filme resultaria em 8 horas, houve uma briga entre Huston e Sartre e ele se retirou do projeto, de modo que seu nome sequer aparece nos créditos. O roteiro integral de Sartre foi publicado, inclusive em português. Uma das melhores coisas do filme é a atuação de Montgomery Cliff, que encena um jovem e perturbado Freud. O filme acaba quando Freud teria cerca de 40 anos e acabava de firmar as bases da psicanálise.

O outro filme importante é Um método perigoso (2011), de David Cronemberg. Mais improvável que sua direção, são as atuações sensacionais de Viggo Mortensen, como Freud, e Michael Fassbender, como Jung. Este já encontra um Freud maduro, cerca de 10 anos depois de onde parou o outro.

Reconhecido como um dos maiores pensadores do século XX, Freud preserva seu valor exatamente por sustentar um discurso de Ciência Humana, focado na experiência humana e distante dos laboratórios e do modelo de ciência positivista, para o bem e para o mal.

A psicanálise é, sobretudo, clínica e teoria da cultura. Numa época em que volta a ser moda (como no século XIX) a tentativa de reduzir o comportamento e a mente ao cérebro e à química, a psicanálise ganha um valor político e ético.

Ela investe na singularidade do sujeito e de seu desejo, de modo a também recusar práticas normativas ou normalizantes. Um sintoma não é aquilo de que sua mãe, professor ou namorada reclamam em você; mas aquilo que você estranha em você mesmo. Uma estranhesa que nos habita.

Nenhum pensador levou tão longe e à sério esta percepção. Ele se afasta do pensamento simplista que opõe razão e emoção, e mostra como elas se implicam. Não há razão pura ou neutra, ela é sempre atravessada pelo desejo; nosso desejos, por sua vez, tem também sua racionalidade, estranha à lógica adaptativa. Não temos auto-controle, mas também não somos irracionais: apenas, há racionalidades distintas.

Naturalmente, a psicanálise é frustrante a quem esperar dela receitas ou categorias para prever e controlar comportamentos. Afinal, o trabalho dela é justamente denunciar e recusar tais ilusões.

Quem estiver atrás delas (receitas ilusórias), sempre encontrará um livro pseudo-científico para vender auto-ajuda, receitas para se tornar líder, fazer campanhas de sucesso e coisas afins.

Hoje, pensadores como Freud são importantes não só por suas teorias, mas pelo que representam de vida inteligente e respeito pelas contingências da vida.

desanti Pedro de Santi
Psicanalista, doutor em psicologia clínica e mestre em filosofia. Professor e Líder da área de Comunicação e Artes da ESPM.

 


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As falácias retóricas

“Nove a cada dez dentistas recomendam Colgate/Oral-B/Sorriso.”

Estamos mais do que acostumados a essa famosa frase ao final dos comerciais de creme dental. Mas a partir do momento em que todas as marcas usam esse argumento, qual diz a verdade? E até que ponto ele possui algum fundamento?

Diariamente utilizamos e somos vítimas de argumentos falhos. E muitas vezes sem perceber.

Montamos discursos baseados no senso comum, nas emoções, na violência… e acabamos nos esquecendo de nos basear simplesmente na verdade, em algo que possa ser comprovado. Esses argumentos são chamados de falácias retóricas.

Uma das falácias mais comuns é o apelo à autoridade anônima, que pode se confundir com o apelo duvidoso à autoridade. A primeira se refere a uma crença que parece ser baseada em algum estudo e é utilizada como verdade, como quando sua avó diz que, ao tomar banho após o almoço, você vai morrer.

Ou quando Silas Malafaia diz “Ninguém nasce gay. Não existe ordem cromossômica homossexual. Não existe gene homossexual. Existe ordem cromossômica de macho e de fêmea. Vamos às pesquisas, 46% dos homossexuais foram violados e violentados quando crianças e adolescentes. Esses 46% passaram a ser homossexuais depois de serem violentados.”

Já a segunda diz respeito a algo que foi dito por um suposto especialista. É o caso da pasta de dente.

E quando dizemos que o novo celular lançado é muito superior ao anterior? Estamos cometendo um apelo à novidade ao deduzir que, por ser mais novo, é melhor. Como na propaganda do novo Iphone.

Uma situação comum é quando juramos que não fomos traídos por simplesmente não conseguirmos aceitar a verdade. Nesse caso, estamos apelando às consequências de uma crença.

São tantas as falácias, que elas até podem ser até conferidas num simpático infográfico do projeto “Information is Beautiful”. Mas, provavelmente a mais cometida, a mentira é uma das maiores manipulações que podem ser feitas com argumentos falhos. E pior, é totalmente consciente.


Tim Burton, gatos e gosto musical duvidoso.


Por um toque na aura do efêmero

Na semana passada, tivemos o evento anual de lançamentos da Apple. Steve Jobs tornou esta data num grande acontecimento: uma grande excitação sob a expectativa do lançamento de um produto revolucionário. Apesar de não termos mais o carisma de Jobs e, em geral, lançamentos que são variações do mesmo (como aconteceu no último dia 9), a aura parece perdurar, residualmente.

As tradicionais filas de consumidores se formaram antes mesmo de se ter clareza sobre o que seria lançado. O que faziam eles lá, então? Alguns, queriam aparecer ao serem entrevistados por estarem ali, prontos para passar dias na fila. Mas eu arriscaria dizer que eles queriam mesmo participar e tocar na aura no novo: o efêmero que, ao menos por algumas semanas, os tornariam distintos, exclusivos, membros de uma elite em meio ao mar amorfo do mundo do consumo de massa. Em pouco tempo, os produtos serão acessíveis a cada vez mais consumidores e sua posse já não produzirá este efeito. E então os produtos, em geral sub-utilizados, serão descartados, independentemente de sua funcionalidade: não é propriamente seu uso que está em jogo no ato de consumo, mas sua participação na experiência do novo.

A massa dos consumidores, por sua vez, torce pela saída dos modelos novos com a esperança de que os modelos anteriores tenham seu preço rebaixado e se tornem mais acessíveis.

Os que aspiram ao mundo do acesso, almejam ser incluídos e serem iguais aos que já lá estão; os que já se consideram incluídos, buscam sua singularidade dentro do grupo. O acesso ao lançamento produz de forma fugaz esta sensação.

Uma semana depois, não se fala mais no assunto e um site de viagem brasileiro oferece como brinde para seus pacotes para New York um I-phone 6. Já.

desanti Pedro de Santi
Psicanalista, doutor em psicologia clínica e mestre em filosofia. Professor e Líder da área de Comunicação e Artes da ESPM.

 


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As palavras são navalhas

Uma campanha que visa combater a crescente onda de violência juvenil na China mostra palavras ofensivas sendo transformadas em armas.

Com criação da Ogilvy & Mather Beijing, a campanha se baseia em uma pesquisa do Centro de Pesquisas Psicológicas que linka a onda de violência com abusos sofridos na infância.

O vídeo abaixo mostra a triste realidade de adolescentes que foram tão oprimidos que em um momento precisaram reagir.


Sai sempre de casa com um livro, uma palheta e Halls Preto.


Quão criativo você é?

Criatividade pode ser medida? Quão acurado é isso? É só uma baboseira para vender mais cursos à distância ou workshops para estudantes nos finais de semana?

A verdade é que. sim, até certo ponto, a criatividade pode ser medida. Pelo menos em termos aceitos e documentados pela academia. O teste de criatividade, chamado TTCT, sigla em inglês para “Teste de Torrance para Pensamento Criativo”. Curioso pensar que, embora menos conhecido do que testes de QI, crianças com pontuação alta no TTCT são estatisticamente mais propensas a obterem realização profissional em suas vidas do que crianças com QI alto.

O teste consiste em tarefas divididas em 3 etapas: tarefas verbais com estímulo verbal, tarefas verbais com estímulo não-verbal e tarefas não-verbais.

O teste possui 5 parâmetros analisáveis: fluência, que analisa a quantidade de ideias relevantes geradas no teste; originalidade, que mede a raridade estatística das respostas dadas; abstração, que mede quão longe das informações dadas as ideias chegaram; elaboração, a quantidade de detalhes do processo; e resistência ao fechamento precoce, que mede quão longe o candidato foi após ter sua primeira ideia.

Dentre as diferentes tarefas do teste, um bem famoso é o “Complete o Desenho”, cujos fatores analisáveis são bem visíveis. A tarefa consiste em “completar” formas abstratas simples previamente dadas dentro de um espaço definido. Quanto menos comum for o desenho, menos próximo das associações mais diretas com a forma, mais pontos vale. Os resultados são bastante interessantes:

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O teste lembra muito trabalhos que têm aparecido pela internet em que pais ilustradores e designers “completam”os desenhos dos filhos. Um exemplo recente é este da artista canadense Ruth Oosterman. Sua filha faz rabiscos com canetinha que serão depois preenchidos pela colorida aquarela da mãe.

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Os resultados de Oosterman são bem legais e vemos muito disso na Internet, mas a realidade, a grande maioria com que vemos no dia a dia, não é tão animadora.

O teste é realizado em diversas escolas nos Estados Unidos desde os anos 70 e o nível de criatividade vem diminuindo. É curioso como o QI sobe de maneira proporcional.Essa tendência é chamada Crise de Criatividade e é um fator bastante temido e estudado pelos cientistas.

Estariam as crianças de hoje recebendo mais estímulos pragmáticos e utilitaristas, que incentivam a resolução de problemas lógicos, mas perdendo os estímulos criativos, que permitem a busca e utilização de elementos e ferramentas de diversas áreas não-relacionadas para a resolução de problemas?

Alguns países tornaram o declínio da pontuação em testes de criatividade um problema a ser combatido, como é o caso do Reino Unido. A explicação mais comum para essa queda generalizada costuma ser o excesso de horas em frente à TVs e aparelhos eletrônicos.

A questão que fica é: será que isso é reflexo do comportamento das crianças apenas ou é, na verdade, fruto da relação cada vez menos estreita e direta que os pais estabelecem com as crianças, onde uma tela acaba por ocupar o tempo e a mente da criança para que esta “fique quietinha no seu canto”?


Minha barba. Minha vida.


Pesquisas eleitorais como peças de comunicação

Provavelmente, todos concordam com a importância e legitimidade de termos pesquisas eleitorais, assim como com sua divulgação. Mais do que isto, é bom que várias instituições as façam para que se vigie o risco de manipulação por alguma. As pesquisas são, em termos básicos, confiáveis e trazem uma informação a mais para a sociedade.

Em contrapartida, muito mais que informação, elas são atos comunicativos e produzem efeitos importantes no comportamento das pessoas.

Temos um exemplo dramático no momento. As últimas pesquisas de intenção de voto para presidente apontam para uma tendência de estabilidade da presidente Dilma, de crescimento rápido de Marina e de queda de Aécio. A publicação das pesquisas se torna uma realidade efetiva. A candidatura de Aécio passa a estar em risco, perde intenções de voto e financiamento. Aliados já abandonam o barco (o que também informa sobre a qualidade das alianças envolvidas). A mídia já considera factual um segundo turno Dilma e Marina, de modo que as notícias e fotos já são produzidas desde esta perspectiva.

Há um nítido embaralhamento entre pesquisa e realidade, o que faz com que os resultados pontuais e as tendências apontadas se tornem profecias auto-realizadas.

Naturalmente, ninguém gosta de estar aliado a perdedores e o comportamento dos eleitores é a de se aglutinar em torno de dois nomes que polarizam as chances de vitória, o que já antecipa o segundo turno.

Tudo a favor das pesquisas e sua divulgação, mas vale a pena a reflexão sobre o poder da comunicação.

desanti Pedro de Santi
Psicanalista, doutor em psicologia clínica e mestre em filosofia. Professor e Líder da área de Comunicação e Artes da ESPM.

 


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O poder midiático em 3 casos.

Caso 1:

No dia 30 de Outubro de 1938, na véspera do Halloween, a rádio CBS interrompeu sua programação para noticiar uma invasão alienígena próxima a Nova Iorque, que nada mais era do que uma adaptação radioteatral da obra “Guerra dos Mundos” de H.G. Wells.

O molde da transmissão já havia sido explorado pela emissora em adaptações de “Drácula”, “A volta ao mundo em 80 dias” e “A ilha do tesouro” em semanas anteriores, mas isso não impediu a grande parte das 6 milhões de pessoas que ouviram o programa de entrar em pânico.

Com músicas orquestradas (que seriam a programação habitual) sendo interrompidas por “furos de reportagem”, inúmeros atores simulando reportagens externas, especialistas, cientistas e personalidades políticas, o roteiro escrito por Orson Welles  formatou o programa para se assimilar a uma notícia real.

Orson Welles na adaptação radiofônica de "Guerra dos Mundos".

Orson Welles na adaptação radiofônica de “Guerra dos Mundos”.

Como pode ser conferido no link abaixo, no princípio da transmissão a rádio anuncia o programa como sendo uma adaptação da obra do escritor britânico. O anúncio que explicava do que se tratava o programa não foi repetido durante a transmissão – como normalmente ocorre nesse veículo -, o que foi determinante para os inúmeros casos de espectadores que entraram em choque ao ouvir o programa.

Existem boatos de linhas telefônicas sobrecarregadas, congestionamentos em estradas por pessoas fugindo da região e até relatos de suicídios por conta dos que acreditaram na transmissão.

O português Matos Maia também fez uma adaptação radiofônica 20 anos depois e que gerou um grande buzz na velha metrópole, sendo que o próprio Salazar (chefe de estado português – pra não dizer ditador – de 1932 a 1968) mandou uma ordem direta para interromper a programação. A história da versão portuguesa, contada pelo próprio Matos Maia pode ser conferida aqui.

Caso 2:

A mulher que foi espancada até a morte por causa de um boato em redes sociais de que utilizava crianças em rituais de magia negra.

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Caso 3:

O documentário O Mercado de Notícias , do cineasta Jorge Furtado (mesmo diretor de Ilha das Flores), aborda as relações da mídia jornalística com a verdade e com os respectivos feedbacks do público, ou seja, os consumidores de notícias.

Com renomados jornalistas sendo entrevistados e se utilizando de paralelos com a peça homônima de Ben Johnson (curiosidade: este sendo o segundo maior dramaturgo inglês, o que é de um peso impressionante sendo que o maior era ninguém menos que William Shakespeare), o documentário procura buscar e investigar o comprometimento e as abordagens dos jornalistas com as notícias e sua relação com a velocidade das informações nessa era cada vez mais digitalizada.

Em especial, um episódio citado no documentário me chamou a atenção: Uma matéria publicada em março de 2004 na Folha de São Paulo mostrava que um suposto quadro de Pablo Picasso se encontrava no prédio do INSS. “A mulher de branco” presente ali se tratava de uma reprodução que havia sido utilizada como pagamento de uma dívida alguns anos antes.

"Woman in white"- Pablo Picasso

“Woman in white”- Pablo Picasso

Problema 1: Tivemos um jornalista que não se deu ao trabalho de pesquisar que a obra original se encontrava no Metropolitan, em Nova Iorque.

Problema 2: Algum funcionário aceitou uma reprodução de alguns dólares para quitar uma dívida de, digamos, alguns milhares de reais.

Problema 3 (Bônus): No ano seguinte, a Folha noticiou que o prédio do INSS havia pegado fogo, mas que algum aventureiro se arriscou para salvar o “quadro original” de Picasso.

O caso gerou inúmeras respostas dos leitores para o jornal, mas a Folha não se retratou, nem noticiou o fato real de que a imagem se tratava de uma mera reprodução.

Conclusão(?):

Esses 3 casos são uma prova do poder que os meios de comunicação tem sobre sua audiência e sobre a população em geral, além de nos alertar sobre o quão confiáveis são as informações que chegam até nós por qualquer meio, seja o rádio (principal meio da época da adaptação de Orson Welles), as redes sociais e até jornais renomados como no caso da Folha de São Paulo.

Devemos ter sempre em mente que hoje, com a era digital, podemos checar infinitas fontes de informação e não ficarmos escravos de nenhum meio específico. Isso gera uma infinidade de opiniões e, de certa maneira, neutraliza opostos extremos na construção de notícias, tornando mais fácil de nós como consumidores dessas matérias, encontrarmos informações mais coerentes com os acontecimentos reais.

 


Sai sempre de casa com um livro, uma palheta e Halls Preto.


O Secret: o ódio que corre nas redes

Há uma semana, houve um debate na ESPM sobre o aplicativo Secret. Na véspera, o aplicativo havia sido retirado da loja da Apple e já se anunciava sua retirada das lojas Android. Havia inclusive uma decisão judicial a este respeito.

O debate foi promovido pelo Coletivo Coralina (ótima iniciativa!) e tinha como foco o uso do aplicativo como disseminação de ataques: quer sob a forma de simples ofensas, quer sob a forma da postagem de fotos expondo outras pessoas a constrangimento. Em suma, sob privacidade, o que se expõe é ódio ou inveja, que é uma forma de paixão com o sinal trocado: não suportamos a felicidade presumida no outro e o atacamos.

A princípio, defendi o aplicativo. Ele parece uma forma de restituir aquilo que a nossa vida sempre conectada nos tirou: privacidade. Estamos ganhando a consciência de que a internet não é e nunca foi livre, ou seja somos constantemente monitorados e censurados pelos provedores. Como mesmo assim postamos quase tudo o que fazemos (e arquivamos as nossas fotos e textos nas nuvens), perdemos a noção de termos uma vida própria e autônoma e cada um de nós procura restituir este sentimento de alguma maneira. Muitos usuários do Secret aproveitam para desabafar ou pedir conselhos, sob a proteção do anonimato.

Mas, mais do que depressa, o policiamento se apresentou sob a forma de ofensas odiosas: surgiram os Blackblocs na rede, acreditando afirmar uma posição pessoal e política na liberação de agressividade impune. E então vem o contra-policiamento: aqueles que repudiam a expressão de ódio, sobretudo quando voltado a minorias.

Minha questão é anterior àquela relativa ao fechamento ou manutenção do site: de onde vem tanto ódio? há quem diga que isto é mais forte no Brasil. Considerando que ser brasileiro não seja uma condição genética, o que me instiga saber é que tipo de vida temos levado para que, à primeira oportunidade (anônima, é claro), tenhamos tanto ódio represado pronto para explodir.

desanti Pedro de Santi
Psicanalista, doutor em psicologia clínica e mestre em filosofia. Professor e Líder da área de Comunicação e Artes da ESPM.

 

 


Os colunistas do Newronio são professores, alunos, profissionais do mercado ou qualquer um que tenha algo interessante para contar.


Sob a pele

Nesta semana, o artista Thomas Leveritt lançou um vídeo que serve de alerta para todos, intitulado How the Sun Sees You.

Ao mostrar de modo belo e natural as marcas deixadas pelo Sol na pele das pessoas, Leveritt conseguiu causar inveja às marcas de protetor solar que não tiveram a ideia de mexer com um dos fatores que mais chama atenção do público: a vaidade.

Sem muitas explicações ou diálogos, o vídeo que evidencia reações de surpresa e olhares curiosos, fazendo jus ao clichê de que “uma imagem vale mais que mil palavras”.

Confira algumas fotos e o vídeo:

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Não perturbe.


Os viciados em Internet da China

Quanto tempo você fica na internet? Isto é, sem que seja para trabalhar ou estudar?

Segundo o governo chinês, qualquer pessoa que fica mais de 6h navegando ou jogando sem estar no trabalho ou nos estudos é considerada como viciada em internet. Sim, viciada. Para o governo, a internet é “como heroína”.

A forma de se tratar isso, no entanto, é um tanto mais elaborada do que uma clínica de reabilitação, que normalmente opera com remédios para controlar as crises de abstinência, acompanhamento terapêutico e atividades para ocupar mente e corpo. Nos Campos de reabilitação chineses, além da medicação anti-depressiva, há as aulas “correcionais” e a pesada rotina de exercícios físicos.

Nesse documentário do New York Times, temos uma visão bastante superficial do problema: vemos alguns exercícios e marchas em roupas militares e pílulas sendo ministradas, mas apenas uma história pessoal, de um garoto drogado e levado inconsciente pelos pais para a instituição.

Em uma sociedade excessivamente opressiva, mesmo dentro de casa, muitos jovens encontram nos Cyber Cafés (as Lan Houses, como as conhecemos por aqui) uma forma de fugir de toda essa carga, mesmo que por poucas horas. O problema é que alguns acabam extrapolando e ficam lá por dias, sem voltar pra casa.

Seguindo a tendência dos regimes totalitários, o que parece ser uma questão social é enquadrada nos males psicológicos e os afetados afastados da sociedade para “recuperação” através de rotina intensa e desgaste mental (que podem ser chamados de “lavagem cerebral”, como alguns participantes a isso se referem).

Com o número de clínicas estimado em torno de 400, a prática chega a custar o equivalente a R$ 3.000, muito acima da média de renda das famílias chinesas. Os métodos rígidos, conduzidos muitas vezes por ex-militares,  por vezes chega a ser brutal: em junho desse ano a jovem Guo Lingling foi espancada até a morte por ir ao banheiro sem permissão.

Em um país tão fechado e cuja circulação de notícias é tão restrita, é de se espantar que esse caso tenha vindo a público. Isso nos faz, inclusive, se perguntar o que mais será que acontece e é prontamente encoberto?

Apesar dos métodos bastante controversos com que o país lida com os viciados em internet, algo que a sociedade americana de psicologia ainda não reconhece como doença, algumas situações aberrantes não deixam de preocupar. É o caso, por exemplo, do casal de pais que vendeu não um, mas dois de seus bebês recém nascidos para bancar o vício do pai em games online.

Claro que, novamente, aspectos sociais têm um papel significativo nesse ato absurdo: o país mantém uma lei que taxa qualquer filho de um casal além do primeiro. A lei tem passado por revisões e discussões, que podem permitir um segundo filho caso um dos pais seja filho único. Mesmo assim, a maioria das famílias urbanas alega que um segundo filho representa um gasto grande demais e preferem ficar com apenas um.


Minha barba. Minha vida.


Os Japas do Hip Hop

Não é novidade que o Japão é cheio de particularidades culturais que são, para a maioria dos ocidentais, absolutamente randômicas e bizarras.

Alguns desses casos tomaram mais destaque nos últimos anos, como as subculturas das Lolitas e Gyaruo, mas o mais incrível é que cada vez mais e mais grupos de fora do Japão se inspiram na cultura nipônica para formar seus gostos e manias.

Os wapaneses, uma união das palavras white e japanese, são pessoas caucasianas que, por diversos motivos, decidem adotar o Japão como sua terra natal, embora a imensa maioria deles sequer tenha pisado em qualquer uma de suas ilhas.

Podem apresentar diferentes níveis de adoração, desde serem viciados em animê e gostarem de praticar cosplay até aprenderem a língua japonesa e acreditarem que a grande maioria dos aspectos da cultura ocidental são inferiores aos da nipônica.

Mas, como nada se resume a apenas um lado da história, os japoneses inverteram essa adoração e criaram sua própria versão, mas de maneira muito, muito mais estranha (como
quase tudo no Japão).

Os B-Stylers são um exemplo extremo dessa adoração da cultura norte americana. Eles gastam centenas de dólares em salões de bronzeamento artificial e horas a fio para texturizar seus cabelos naturalmente lisos, além de usar roupas e frequentar festas inspiradas no Hip Hop.

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O que torna ainda mais legal essa história toda de interação cultural Japão X Estados Unidos é que existem projetos em que representantes das duas culturas se esforçam para trabalhar juntos a fim de criar híbridos culturais realmente interessantes.

O animê Afro Samurai, que foi adaptado de um mangá com o mesmo nome, é recheado de referências ao hip hop e teve até sua trilha sonora produzida pelo rapper RZA, membro do Wu Tang Clan, um dos melhores grupos de hip hop dos EUA.

Como se isso não bastasse para tornar Afro Samurai imperdível, a voz do protagonista e seu amigo imaginário foram dubladas na versão americana por ninguém menos que Samuel L. Jackson.

É, parece que as fusões culturais entre esses dois países tem potencial para continuar impressionando e surpreendendo tanto ocidentais quanto orientais.

ana Ana Helena Blanes
Amante do randômico, procrastinadora profissional.


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Em quem você confia mais: na TV ou na sua mãe?

Os Millenials ou Geração Y, é a geração que nasceu dos anos 1980 aos 2000. Obviamente, estes são os jovens-adultos de hoje, que acompanharam toda a revolução tecnológica desde que nasceram. São aventureiros, criativos, perspicazes e muito curiosos.

Mas como a geração que mais acompanhou a revolução digital confia mais no que é dito por terceiros do que o que é dito por profissionais?

A Ipsos – grupo de especialistas em pesquisa de mídia e tecnologia publicou um infográfico com uma pesquisa que reforça bastante esse comportamento da geração Y.

Os dados começam relacionando o que eles chamam de UCG (conteúdo gerado pelos próprios usuários) com o conteúdo lançado pelas mídias tradicionais e como eles são assimilados pelos Millenials, apontando assim a preferência pelos UCG.

Dentro das várias informações publicadas, uma chama atenção: está ficando cada vez mais fácil criar conteúdo próprio na internet, e ainda, para a maioria dos usuários, publicações de amigos e familiares são muito mais memoráveis do que as das mídias tradicionais.

Nesse sentido, as próprias redes sociais nos demonstram isso. Aquele meme que dura no Facebook, os 6 segundos mais viciantes do Vine ou as imagens mais chocantes do Instagram. Tudo isso, postado por nossa rede de contatos: quem queremos ver e/ou quem confiamos.

Por exemplo, o quanto você memoriza os vines com loops sensacionais do Nicholas Megalis? Por quanto tempo você lembra daquele post engraçado do meme do “Félix, bicha má” que alguém publicou no Facebook? Ou aquele viral do rei do camarote no Youtube?

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Está claro que não só a Millenials, como todas as gerações, apesar de toda revolução tecnológica, ainda utiliza o “disse-me-disse”ou o “boca-a-boca” para adquirir informações às vezes até mais do que as marcas, sites de notícia e mídias tradicionais.


Futura publicitária, aspirante a cantora e amante do Rock 90's.