Categoria: Comportamento

Quão criativo você é?

Criatividade pode ser medida? Quão acurado é isso? É só uma baboseira para vender mais cursos à distância ou workshops para estudantes nos finais de semana?

A verdade é que. sim, até certo ponto, a criatividade pode ser medida. Pelo menos em termos aceitos e documentados pela academia. O teste de criatividade, chamado TTCT, sigla em inglês para “Teste de Torrance para Pensamento Criativo”. Curioso pensar que, embora menos conhecido do que testes de QI, crianças com pontuação alta no TTCT são estatisticamente mais propensas a obterem realização profissional em suas vidas do que crianças com QI alto.

O teste consiste em tarefas divididas em 3 etapas: tarefas verbais com estímulo verbal, tarefas verbais com estímulo não-verbal e tarefas não-verbais.

O teste possui 5 parâmetros analisáveis: fluência, que analisa a quantidade de ideias relevantes geradas no teste; originalidade, que mede a raridade estatística das respostas dadas; abstração, que mede quão longe das informações dadas as ideias chegaram; elaboração, a quantidade de detalhes do processo; e resistência ao fechamento precoce, que mede quão longe o candidato foi após ter sua primeira ideia.

Dentre as diferentes tarefas do teste, um bem famoso é o “Complete o Desenho”, cujos fatores analisáveis são bem visíveis. A tarefa consiste em “completar” formas abstratas simples previamente dadas dentro de um espaço definido. Quanto menos comum for o desenho, menos próximo das associações mais diretas com a forma, mais pontos vale. Os resultados são bastante interessantes:

TTCT

O teste lembra muito trabalhos que têm aparecido pela internet em que pais ilustradores e designers “completam”os desenhos dos filhos. Um exemplo recente é este da artista canadense Ruth Oosterman. Sua filha faz rabiscos com canetinha que serão depois preenchidos pela colorida aquarela da mãe.

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Os resultados de Oosterman são bem legais e vemos muito disso na Internet, mas a realidade, a grande maioria com que vemos no dia a dia, não é tão animadora.

O teste é realizado em diversas escolas nos Estados Unidos desde os anos 70 e o nível de criatividade vem diminuindo. É curioso como o QI sobe de maneira proporcional.Essa tendência é chamada Crise de Criatividade e é um fator bastante temido e estudado pelos cientistas.

Estariam as crianças de hoje recebendo mais estímulos pragmáticos e utilitaristas, que incentivam a resolução de problemas lógicos, mas perdendo os estímulos criativos, que permitem a busca e utilização de elementos e ferramentas de diversas áreas não-relacionadas para a resolução de problemas?

Alguns países tornaram o declínio da pontuação em testes de criatividade um problema a ser combatido, como é o caso do Reino Unido. A explicação mais comum para essa queda generalizada costuma ser o excesso de horas em frente à TVs e aparelhos eletrônicos.

A questão que fica é: será que isso é reflexo do comportamento das crianças apenas ou é, na verdade, fruto da relação cada vez menos estreita e direta que os pais estabelecem com as crianças, onde uma tela acaba por ocupar o tempo e a mente da criança para que esta “fique quietinha no seu canto”?


Minha barba. Minha vida.


Pesquisas eleitorais como peças de comunicação

Provavelmente, todos concordam com a importância e legitimidade de termos pesquisas eleitorais, assim como com sua divulgação. Mais do que isto, é bom que várias instituições as façam para que se vigie o risco de manipulação por alguma. As pesquisas são, em termos básicos, confiáveis e trazem uma informação a mais para a sociedade.

Em contrapartida, muito mais que informação, elas são atos comunicativos e produzem efeitos importantes no comportamento das pessoas.

Temos um exemplo dramático no momento. As últimas pesquisas de intenção de voto para presidente apontam para uma tendência de estabilidade da presidente Dilma, de crescimento rápido de Marina e de queda de Aécio. A publicação das pesquisas se torna uma realidade efetiva. A candidatura de Aécio passa a estar em risco, perde intenções de voto e financiamento. Aliados já abandonam o barco (o que também informa sobre a qualidade das alianças envolvidas). A mídia já considera factual um segundo turno Dilma e Marina, de modo que as notícias e fotos já são produzidas desde esta perspectiva.

Há um nítido embaralhamento entre pesquisa e realidade, o que faz com que os resultados pontuais e as tendências apontadas se tornem profecias auto-realizadas.

Naturalmente, ninguém gosta de estar aliado a perdedores e o comportamento dos eleitores é a de se aglutinar em torno de dois nomes que polarizam as chances de vitória, o que já antecipa o segundo turno.

Tudo a favor das pesquisas e sua divulgação, mas vale a pena a reflexão sobre o poder da comunicação.

desanti Pedro de Santi
Psicanalista, doutor em psicologia clínica e mestre em filosofia. Professor e Líder da área de Comunicação e Artes da ESPM.

 


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O poder midiático em 3 casos.

Caso 1:

No dia 30 de Outubro de 1938, na véspera do Halloween, a rádio CBS interrompeu sua programação para noticiar uma invasão alienígena próxima a Nova Iorque, que nada mais era do que uma adaptação radioteatral da obra “Guerra dos Mundos” de H.G. Wells.

O molde da transmissão já havia sido explorado pela emissora em adaptações de “Drácula”, “A volta ao mundo em 80 dias” e “A ilha do tesouro” em semanas anteriores, mas isso não impediu a grande parte das 6 milhões de pessoas que ouviram o programa de entrar em pânico.

Com músicas orquestradas (que seriam a programação habitual) sendo interrompidas por “furos de reportagem”, inúmeros atores simulando reportagens externas, especialistas, cientistas e personalidades políticas, o roteiro escrito por Orson Welles  formatou o programa para se assimilar a uma notícia real.

Orson Welles na adaptação radiofônica de "Guerra dos Mundos".

Orson Welles na adaptação radiofônica de “Guerra dos Mundos”.

Como pode ser conferido no link abaixo, no princípio da transmissão a rádio anuncia o programa como sendo uma adaptação da obra do escritor britânico. O anúncio que explicava do que se tratava o programa não foi repetido durante a transmissão – como normalmente ocorre nesse veículo -, o que foi determinante para os inúmeros casos de espectadores que entraram em choque ao ouvir o programa.

Existem boatos de linhas telefônicas sobrecarregadas, congestionamentos em estradas por pessoas fugindo da região e até relatos de suicídios por conta dos que acreditaram na transmissão.

O português Matos Maia também fez uma adaptação radiofônica 20 anos depois e que gerou um grande buzz na velha metrópole, sendo que o próprio Salazar (chefe de estado português – pra não dizer ditador – de 1932 a 1968) mandou uma ordem direta para interromper a programação. A história da versão portuguesa, contada pelo próprio Matos Maia pode ser conferida aqui.

Caso 2:

A mulher que foi espancada até a morte por causa de um boato em redes sociais de que utilizava crianças em rituais de magia negra.

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Caso 3:

O documentário O Mercado de Notícias , do cineasta Jorge Furtado (mesmo diretor de Ilha das Flores), aborda as relações da mídia jornalística com a verdade e com os respectivos feedbacks do público, ou seja, os consumidores de notícias.

Com renomados jornalistas sendo entrevistados e se utilizando de paralelos com a peça homônima de Ben Johnson (curiosidade: este sendo o segundo maior dramaturgo inglês, o que é de um peso impressionante sendo que o maior era ninguém menos que William Shakespeare), o documentário procura buscar e investigar o comprometimento e as abordagens dos jornalistas com as notícias e sua relação com a velocidade das informações nessa era cada vez mais digitalizada.

Em especial, um episódio citado no documentário me chamou a atenção: Uma matéria publicada em março de 2004 na Folha de São Paulo mostrava que um suposto quadro de Pablo Picasso se encontrava no prédio do INSS. “A mulher de branco” presente ali se tratava de uma reprodução que havia sido utilizada como pagamento de uma dívida alguns anos antes.

"Woman in white"- Pablo Picasso

“Woman in white”- Pablo Picasso

Problema 1: Tivemos um jornalista que não se deu ao trabalho de pesquisar que a obra original se encontrava no Metropolitan, em Nova Iorque.

Problema 2: Algum funcionário aceitou uma reprodução de alguns dólares para quitar uma dívida de, digamos, alguns milhares de reais.

Problema 3 (Bônus): No ano seguinte, a Folha noticiou que o prédio do INSS havia pegado fogo, mas que algum aventureiro se arriscou para salvar o “quadro original” de Picasso.

O caso gerou inúmeras respostas dos leitores para o jornal, mas a Folha não se retratou, nem noticiou o fato real de que a imagem se tratava de uma mera reprodução.

Conclusão(?):

Esses 3 casos são uma prova do poder que os meios de comunicação tem sobre sua audiência e sobre a população em geral, além de nos alertar sobre o quão confiáveis são as informações que chegam até nós por qualquer meio, seja o rádio (principal meio da época da adaptação de Orson Welles), as redes sociais e até jornais renomados como no caso da Folha de São Paulo.

Devemos ter sempre em mente que hoje, com a era digital, podemos checar infinitas fontes de informação e não ficarmos escravos de nenhum meio específico. Isso gera uma infinidade de opiniões e, de certa maneira, neutraliza opostos extremos na construção de notícias, tornando mais fácil de nós como consumidores dessas matérias, encontrarmos informações mais coerentes com os acontecimentos reais.

 


Sai sempre de casa com um livro, uma palheta e Halls Preto.


O Secret: o ódio que corre nas redes

Há uma semana, houve um debate na ESPM sobre o aplicativo Secret. Na véspera, o aplicativo havia sido retirado da loja da Apple e já se anunciava sua retirada das lojas Android. Havia inclusive uma decisão judicial a este respeito.

O debate foi promovido pelo Coletivo Coralina (ótima iniciativa!) e tinha como foco o uso do aplicativo como disseminação de ataques: quer sob a forma de simples ofensas, quer sob a forma da postagem de fotos expondo outras pessoas a constrangimento. Em suma, sob privacidade, o que se expõe é ódio ou inveja, que é uma forma de paixão com o sinal trocado: não suportamos a felicidade presumida no outro e o atacamos.

A princípio, defendi o aplicativo. Ele parece uma forma de restituir aquilo que a nossa vida sempre conectada nos tirou: privacidade. Estamos ganhando a consciência de que a internet não é e nunca foi livre, ou seja somos constantemente monitorados e censurados pelos provedores. Como mesmo assim postamos quase tudo o que fazemos (e arquivamos as nossas fotos e textos nas nuvens), perdemos a noção de termos uma vida própria e autônoma e cada um de nós procura restituir este sentimento de alguma maneira. Muitos usuários do Secret aproveitam para desabafar ou pedir conselhos, sob a proteção do anonimato.

Mas, mais do que depressa, o policiamento se apresentou sob a forma de ofensas odiosas: surgiram os Blackblocs na rede, acreditando afirmar uma posição pessoal e política na liberação de agressividade impune. E então vem o contra-policiamento: aqueles que repudiam a expressão de ódio, sobretudo quando voltado a minorias.

Minha questão é anterior àquela relativa ao fechamento ou manutenção do site: de onde vem tanto ódio? há quem diga que isto é mais forte no Brasil. Considerando que ser brasileiro não seja uma condição genética, o que me instiga saber é que tipo de vida temos levado para que, à primeira oportunidade (anônima, é claro), tenhamos tanto ódio represado pronto para explodir.

desanti Pedro de Santi
Psicanalista, doutor em psicologia clínica e mestre em filosofia. Professor e Líder da área de Comunicação e Artes da ESPM.

 

 


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Sob a pele

Nesta semana, o artista Thomas Leveritt lançou um vídeo que serve de alerta para todos, intitulado How the Sun Sees You.

Ao mostrar de modo belo e natural as marcas deixadas pelo Sol na pele das pessoas, Leveritt conseguiu causar inveja às marcas de protetor solar que não tiveram a ideia de mexer com um dos fatores que mais chama atenção do público: a vaidade.

Sem muitas explicações ou diálogos, o vídeo que evidencia reações de surpresa e olhares curiosos, fazendo jus ao clichê de que “uma imagem vale mais que mil palavras”.

Confira algumas fotos e o vídeo:

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Não perturbe.


Os viciados em Internet da China

Quanto tempo você fica na internet? Isto é, sem que seja para trabalhar ou estudar?

Segundo o governo chinês, qualquer pessoa que fica mais de 6h navegando ou jogando sem estar no trabalho ou nos estudos é considerada como viciada em internet. Sim, viciada. Para o governo, a internet é “como heroína”.

A forma de se tratar isso, no entanto, é um tanto mais elaborada do que uma clínica de reabilitação, que normalmente opera com remédios para controlar as crises de abstinência, acompanhamento terapêutico e atividades para ocupar mente e corpo. Nos Campos de reabilitação chineses, além da medicação anti-depressiva, há as aulas “correcionais” e a pesada rotina de exercícios físicos.

Nesse documentário do New York Times, temos uma visão bastante superficial do problema: vemos alguns exercícios e marchas em roupas militares e pílulas sendo ministradas, mas apenas uma história pessoal, de um garoto drogado e levado inconsciente pelos pais para a instituição.

Em uma sociedade excessivamente opressiva, mesmo dentro de casa, muitos jovens encontram nos Cyber Cafés (as Lan Houses, como as conhecemos por aqui) uma forma de fugir de toda essa carga, mesmo que por poucas horas. O problema é que alguns acabam extrapolando e ficam lá por dias, sem voltar pra casa.

Seguindo a tendência dos regimes totalitários, o que parece ser uma questão social é enquadrada nos males psicológicos e os afetados afastados da sociedade para “recuperação” através de rotina intensa e desgaste mental (que podem ser chamados de “lavagem cerebral”, como alguns participantes a isso se referem).

Com o número de clínicas estimado em torno de 400, a prática chega a custar o equivalente a R$ 3.000, muito acima da média de renda das famílias chinesas. Os métodos rígidos, conduzidos muitas vezes por ex-militares,  por vezes chega a ser brutal: em junho desse ano a jovem Guo Lingling foi espancada até a morte por ir ao banheiro sem permissão.

Em um país tão fechado e cuja circulação de notícias é tão restrita, é de se espantar que esse caso tenha vindo a público. Isso nos faz, inclusive, se perguntar o que mais será que acontece e é prontamente encoberto?

Apesar dos métodos bastante controversos com que o país lida com os viciados em internet, algo que a sociedade americana de psicologia ainda não reconhece como doença, algumas situações aberrantes não deixam de preocupar. É o caso, por exemplo, do casal de pais que vendeu não um, mas dois de seus bebês recém nascidos para bancar o vício do pai em games online.

Claro que, novamente, aspectos sociais têm um papel significativo nesse ato absurdo: o país mantém uma lei que taxa qualquer filho de um casal além do primeiro. A lei tem passado por revisões e discussões, que podem permitir um segundo filho caso um dos pais seja filho único. Mesmo assim, a maioria das famílias urbanas alega que um segundo filho representa um gasto grande demais e preferem ficar com apenas um.


Minha barba. Minha vida.


Os Japas do Hip Hop

Não é novidade que o Japão é cheio de particularidades culturais que são, para a maioria dos ocidentais, absolutamente randômicas e bizarras.

Alguns desses casos tomaram mais destaque nos últimos anos, como as subculturas das Lolitas e Gyaruo, mas o mais incrível é que cada vez mais e mais grupos de fora do Japão se inspiram na cultura nipônica para formar seus gostos e manias.

Os wapaneses, uma união das palavras white e japanese, são pessoas caucasianas que, por diversos motivos, decidem adotar o Japão como sua terra natal, embora a imensa maioria deles sequer tenha pisado em qualquer uma de suas ilhas.

Podem apresentar diferentes níveis de adoração, desde serem viciados em animê e gostarem de praticar cosplay até aprenderem a língua japonesa e acreditarem que a grande maioria dos aspectos da cultura ocidental são inferiores aos da nipônica.

Mas, como nada se resume a apenas um lado da história, os japoneses inverteram essa adoração e criaram sua própria versão, mas de maneira muito, muito mais estranha (como
quase tudo no Japão).

Os B-Stylers são um exemplo extremo dessa adoração da cultura norte americana. Eles gastam centenas de dólares em salões de bronzeamento artificial e horas a fio para texturizar seus cabelos naturalmente lisos, além de usar roupas e frequentar festas inspiradas no Hip Hop.

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O que torna ainda mais legal essa história toda de interação cultural Japão X Estados Unidos é que existem projetos em que representantes das duas culturas se esforçam para trabalhar juntos a fim de criar híbridos culturais realmente interessantes.

O animê Afro Samurai, que foi adaptado de um mangá com o mesmo nome, é recheado de referências ao hip hop e teve até sua trilha sonora produzida pelo rapper RZA, membro do Wu Tang Clan, um dos melhores grupos de hip hop dos EUA.

Como se isso não bastasse para tornar Afro Samurai imperdível, a voz do protagonista e seu amigo imaginário foram dubladas na versão americana por ninguém menos que Samuel L. Jackson.

É, parece que as fusões culturais entre esses dois países tem potencial para continuar impressionando e surpreendendo tanto ocidentais quanto orientais.

ana Ana Helena Blanes
Amante do randômico, procrastinadora profissional.


Os colunistas do Newronio são professores, alunos, profissionais do mercado ou qualquer um que tenha algo interessante para contar.


Em quem você confia mais: na TV ou na sua mãe?

Os Millenials ou Geração Y, é a geração que nasceu dos anos 1980 aos 2000. Obviamente, estes são os jovens-adultos de hoje, que acompanharam toda a revolução tecnológica desde que nasceram. São aventureiros, criativos, perspicazes e muito curiosos.

Mas como a geração que mais acompanhou a revolução digital confia mais no que é dito por terceiros do que o que é dito por profissionais?

A Ipsos – grupo de especialistas em pesquisa de mídia e tecnologia publicou um infográfico com uma pesquisa que reforça bastante esse comportamento da geração Y.

Os dados começam relacionando o que eles chamam de UCG (conteúdo gerado pelos próprios usuários) com o conteúdo lançado pelas mídias tradicionais e como eles são assimilados pelos Millenials, apontando assim a preferência pelos UCG.

Dentro das várias informações publicadas, uma chama atenção: está ficando cada vez mais fácil criar conteúdo próprio na internet, e ainda, para a maioria dos usuários, publicações de amigos e familiares são muito mais memoráveis do que as das mídias tradicionais.

Nesse sentido, as próprias redes sociais nos demonstram isso. Aquele meme que dura no Facebook, os 6 segundos mais viciantes do Vine ou as imagens mais chocantes do Instagram. Tudo isso, postado por nossa rede de contatos: quem queremos ver e/ou quem confiamos.

Por exemplo, o quanto você memoriza os vines com loops sensacionais do Nicholas Megalis? Por quanto tempo você lembra daquele post engraçado do meme do “Félix, bicha má” que alguém publicou no Facebook? Ou aquele viral do rei do camarote no Youtube?

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Está claro que não só a Millenials, como todas as gerações, apesar de toda revolução tecnológica, ainda utiliza o “disse-me-disse”ou o “boca-a-boca” para adquirir informações às vezes até mais do que as marcas, sites de notícia e mídias tradicionais.


Futura publicitária, aspirante a cantora e amante do Rock 90's.


Você também pode dar um presunto legal (Parte 2)

Continuando o clima de cinema e política, segue mais uma dica sensacional de filme:

O filme está na íntegra no youtube e dispensa meus comentários.

Fica aqui um texto escrito pelo próprio diretor.

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“Algumas explicações sobre meu documentário ‘Você também pode dar um presunto legal’.

Filmado clandestinamente entre 1970/71, foi uma reflexão minha — na época — de que o tristemente famoso “esquadrão da morte”, chefiado pelo delegado Sergio Paranhos Fleury, serviu de ensaio geral para a violenta repressão política que veio a seguir, com tortura indiscriminada e assassinatos. Conta inclusive com documento filmado único, no qual o delegado Fleury é condecorado pela Marinha brasileira pelos serviços prestados.

Utilizei também fragmentos de duas peças de teatro que estavam em cartaz em São Paulo naqueles anos: ‘A resistível ascensão de Arturo Ui’, de Bertold Brecht, e ‘O interrogatório’, de Peter Weis.

Um texto que introduzi no inicio do documentário explica as razões pelas quais esse documentário ficou inédito até 2007.

Tive a ousadia de reeditar o documentário a partir do único material que eu tinha disponível: uma fita VHS. Quero assinalar que tentei ao máximo manter a edição original, inclusive com seus inúmeros defeitos (imagens que perderam 20% de sua área ao serem transferidas para vídeo, trucagens não feitas, finalização feita à distância e por carta, entre outros), o que também está informado no letreiro inicial. Só alterei o que efetivamente não dava leitura ou estava muito deteriorado.

Comecei fazendo uma distribuição ‘low profile’, enviando mais de 500 cópias para amigas/amigos, companheiras/companheiros que o viram e/ou exibiram para outras pessoas. A razão dessa  forma de distribuição é que temo ter problemas com direitos autorais com as músicas e com as peças de teatro, ainda que só faça projeções gratuitas. Além do mais, nos estojos em que envio o DVD, coloco um texto que diz que o documentário pode ser exibido e/ou copiado livremente, desde que gratuitamente. O que faz com  que, até hoje,  eu  receba notícias de quartas ou quintas gerações de cópias feitas à partir de algum DVD enviado por mim.

Se tivesse sido exibido em sua época, teria a função de denunciar o clima de terror e de torturas de então. Na atualidade, serve para informar às atuais gerações que houve tortura no Brasil.

E, pouco a pouco, o documentário tem ganho vida e asas próprias, voando por caminhos que — felizmente — não mais controlo.

A primeira projeção efetivamente pública  foi em março de 2007, num cineclube  (que não mais existe) na rua Maria Antonia, em São Paulo; no ano anterior, foi apresentado na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na PUC/SP e PUC/RJ, na Unesp/Araraquara, numa universidade em Ribeirão Preto e na Escola Florestan Fernandes do MST. Foi tema de um GT no Congresso Brasileiro de Sociologia realizado em Recife (2007); participou da Bienal de Valencia (Espanha), em 2007, e da programação em cinco cidades do Chile por ocasião da Trienal do Chile, em 2009. Viajou também pelo circuito de cineclubes do Norte/Nordeste e pela Argentina e Venezuela; e foi tema do seminário ‘Activar una Historia’, no Instituto Cervantes (Brasília, 2009), dirigido pela especialista espanhola Mónica Carballas.

Hoje em dia está no site Memórias Reveladas (do Ministério da Justiça) e no Youtube.

Solicito a quem o veja  que — posteriormente e caso seja possível — me envie uma opinião, mesmo que negativa.

Hasta mañana, siempre (espero yo)!!!

Sergio Muniz

e-mail: acoirups@gmail.com

rose

Rose Figueiredo (PhD)
Jornalista; Diretora de Imagem e Som e professora na ESPM.
Adoro uma câmera!


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O Dia do Professor

Na semana passada, vários dos seus amigos, provavelmente, postaram fotos de quando eram crianças nas redes sociais, né? Algumas fotos de bebês bonitinhos, outras de joelhos… você sabe! Mas, aposto que a maioria estava mais preocupada com a quantidade de “curtir” que receberiam na foto, do que com o significado do dia. O que é completamente compreensível, pois esses não são mais crianças, ora!

Mas há uma data em Outubro que nós, independente de já termos crescido, não podemos ignorar. Uma data talvez até mais importante que o próprio Dia das Crianças. Uma data para homenagear pessoas que fizeram parte de nossa vida e que contribuíram para sermos o que somos hoje: o Dia do Professor.

Por isso, sabendo da importância do papel do professor na vida de uma pessoa, o Instituto Natura e a Agência Riot não perderam tempo e fizeram um vídeo para homenagearem todos os educadores do Brasil, os quais muitos não tivemos a chance de agradecer.

O vídeo é muito bonito, mas acima de tudo, necessário, principalmente pelo fato do Brasil valorizar pouco esta profissão.

Parabéns aos nossos professores e muito obrigado por transformarem diversas vidas ao redor do país.


Antes, era apenas mais um garotinho, do interior de SP, com uma cabeça desproporcional ao corpo. Agora, um estudante de Publicidade e Propaganda da ESPM.


Uma vida vale mais que um Bentley.

Há algum tempo, o brasileiro se demonstra insatisfeito com diversos assuntos, estejam estes ligados à política, comportamento do próprio brasileiro, fatos que acontecem no mundo ou a qualquer outro. Isso não quer dizer que a população está mais crítica, ou algo do tipo, mas demonstra que as pessoas querem ser ouvidas, querem ter opiniões, querem sair de uma inércia que era dominante há um tempo. Porém, com essa ascensão da “exposição de pensamentos”, as pessoas estão confundindo os significados das palavras “crítica” e “julgamento”. As críticas construtivas estão perdendo espaço para julgamentos preconcebidos, deixando nosso ambiente atual muito similar ao da alegoria de Gil Vicente, O Alto da Barca do Inferno, onde o Anjo e o Diabo julgavam quem ia para o paraíso e o inferno. Muitos assuntos, de todo o tipo de natureza, passaram a ser julgados (e não criticados) e a vítima dessa vez foi o empresário brasileiro, Chiquinho Scarpa.

Polêmico, rico e conde (segundo ele), Francisco Scarpa se tornou alvo de julgamento após anunciar algo no mínimo estranho: o enterro de seu Bentley de R$ 1 milhão. A notícia percorreu por diversos veículos de comunicação, na maioria das vezes instigando aos leitores e telespectadores um certo ódio, por ser um ato arrogante e nada humilde (até então). O empresário dizia que era um ato nobre, similar aos dos faraós do Egito. Mas, o que ninguém esperava, é que tudo não passava de uma campanha para doação de órgãos. Isso mesmo! Anjos e Diabos, provavelmente, devem estar perplexos.

O enterro do Bentley de Chiquinho, serviu apenas para divulgar a “Semana Nacional de Doação de Órgãos”, que se estenderá entre os dias 23 e 29 de setembro. Com a ideia de que “uma vida vale mais que um Bentley”, Scarpa postou a foto acima com o texto: “Eu não enterrei meu carro, mas todo mundo achou um absurdo quando eu disse que ia fazer isso. Absurdo é enterrar seus órgãos, que podem salvar muitas vidas. Nada é mais valioso. Seja um doador, avise sua família.”. Uma campanha simplesmente genial, por fugir completamente do padrão e gerar todo esse falatório, que se afunilou em um assunto de extrema importância, não só para o Brasil, mas para o mundo todo também.

No post sobre a campanha da empresa tailandesa, True Corporation (se você não viu, clique aqui), pode-se perceber que a generosidade é uma virtude nobre, que em muitos casos prevalece em relação as outras. Doação de órgãos, é um ato mais que generoso, pois, como sabemos, dá oportunidade à muitas pessoas de viverem uma nova vida. Portanto, devemos deixar de lado toda a discussão e julgamentos a cerca de Chiquinho Scarpa. Há coisas muito mais importantes para nos preocupar, como ele mesmo disse. Uma vida vale mais que um Bentley.


Antes, era apenas mais um garotinho, do interior de SP, com uma cabeça desproporcional ao corpo. Agora, um estudante de Publicidade e Propaganda da ESPM.


Generosidade é a melhor comunicação.

Os relatos dos grandes feitos do Homem, desde a pedra lascada e a escrita, até as invenções da Revolução Industrial e da Internet, sempre foram escritos de maneira heróica, como se a História fosse uma verdadeira epopeia. Porém, conforme a linha do tempo se desenrolou, algumas coisas foram, aos poucos, deixadas de lado pela sociedade (o que não é nada heróico). Coisas subjetivas e intangíveis, que por mais simples que sejam, são as que fazem de nós, realmente, os seres mais evoluídos do planeta. A generosidade é uma dessas coisas, ou melhor, uma dessas virtudes que merece destaque e que, em muitos momentos, prevalece em relação as outras.

A ciência sempre nos diferiu dos demais animais pela razão, certo? Mas, de que adianta sermos racionais se um cachorro, em muitos momentos, mesmo que irracionalmente, consegue ser mais generoso que nós? Isso, de certa forma, constitui um paradoxo. Portanto, a True Corporation, empresa tailandesa de telecomunicações, produziu um comercial que explora exatamente essa virtude, enfatizando-a como sendo “a melhor comunicação”.

O vídeo possui três minutos e mesmo sendo relativamente longo para a internet, a abordagem do tema é bastante impressionante e vale cada minuto. Com uma história emocionante, pura e simples, o vídeo alcançou uma marca bastante expressiva no Youtube, ultrapassando três milhões de exibições. Um comercial diferente e digamos que necessário, por possibilitar uma reflexão importante, principalmente no atual momento, cuja História passa por um período conturbado, o qual só será resolvido com boas doses de generosidade.


Antes, era apenas mais um garotinho, do interior de SP, com uma cabeça desproporcional ao corpo. Agora, um estudante de Publicidade e Propaganda da ESPM.