Me mudei para São Paulo no início do ano, e eu sou do tipo de pessoa que nunca teve obrigações com os afazeres de casa (nem mesmo o ovo frito da madrugada). Portanto, é previsível que tive problemas nos primeiros meses para fazer minha comida, e sim, eu resolvi aprender a cozinhar, até porque, eu nunca vou me humilhar em pagar trinta e cinco reais num prato-feito. 

 Então vamos começar do começo, o básico, arroz. A receita é simples: uma medida para duas de água. Não tem como dar errado. Na real tem sim, principalmente se você pensa muito. Em algum momento eu percebia que algo “estava errado”: ou está muito seco, ou muito papado. Simplesmente não saía do jeito que eu queria, era frustrante. E eu pensava: “O que eu tô fazendo de errado?”

 Felizmente, num sábado qualquer, deixei o arroz cozinhando enquanto ia tomar um banho rápido. O problema (ou a solução) é que acabei esquecendo, e só fui ver de fato a situação do temido arroz cerca de vinte-trinta minutos depois. E para minha surpresa, estava no ponto, soltinho, praticamente perfeito, afinal, como isso era possível? Aí que finalmente entendi: Às vezes só é preciso deixar ser como é.

 “Mas Riguel, porque raios você está falando de arroz?”

Contei essa história unicamente para falar sobre overthinking, termo utilizado para definir o ato de pensar de forma contínua e insistente até nos mais simples momentos da vida (inclusive fazer arroz). A forma que você faz arroz diz muito sobre você. Não à toa, foi com essa historieta que percebi o quão inseguro era comigo mesmo, e como me preocupar se estava sendo um peso ou irritante para os outros apenas me fazia uma “pessoa impessoal”, por conseguinte, forçada.

 Logo, que tal reescrever?

 Então vamos começar do começo, o básico, você. A receita é simples: seja você mesmo. Não tem como dar errado. Na real tem sim, principalmente se você pensa muito. Em algum momento eu percebia que algo “estava errado”: ou está muito à vontade, ou muito forçado. Simplesmente não saía do jeito que eu queria, era frustrante. E eu pensava: “O que eu tô fazendo de errado?”. 

 Felizmente, num sábado qualquer, deixei a insegurança de lado enquanto ia sair pra vida. O problema (ou a solução) é que acabei esquecendo, e só fui ver de fato se estava ou não sendo inconveniente cerca de vinte-trinta minutos depois. E para minha surpresa, estava no ponto, soltinho, praticamente perfeito, afinal, como isso era possível? Aí que finalmente entendi: Às vezes só é preciso deixar ser como é. Às vezes é como fazer arroz.