O cinema coreano já é responsável por muitos filmes clássicos faz algum tempo, mas só agora ele finalmente está recebendo o reconhecimento que merece. Dentre as várias indústrias internacionais, fora de Hollywood, a Coréia do Sul está mostrando todo seu potencial ao competir com blockbusters e queridos da crítica, alcançando tanto números grandes de bilheteria quanto aclamação dos críticos.

Heropage-980x560_62 Train to Busan foi um sucesso nas bilheterias ao redor do mundo, passando em cinemas até em cidades menores brasileiras, além de ter feito parte da seleção de Cannes.

Apesar de também possuir alguns destaques no século 20, foi na virada do milênio que os coreanos realmente começam a investir em seu cinema nacional, e a partir dali o nível nunca parou de subir – com clássicos como Zona de Risco e a Trilogia da Vingança, todos de Chan-wook Park, talvez o diretor mais popular fora do país.

Oldboy possivelmente tenha sido o marco para a popularização no ocidente, sendo o primeiro que foi indicado a um dos principais festivais, ganhando o Cannes em 2004 – gerando um dos mais populares remakes americanos de um filme coreano, apesar das tentativas anteriores com My Sassy Girl, Addicted e Tale of Two Sisters.

Aliás, o reconhecimento que ocorre hoje não é apenas por números de bilheteria, presença em prêmios e críticas positivas. Estúdios de fora do país também começaram a manifestar interesse em participar das produções coreanas. São os casos de 3 filmes lançados em 2013: Snowpiercer de Joon-ho Bong, The Last Stand de Jee-woon Kim e Stoker de Chan-wook Park. No entanto a qualidade acabou caindo quando comparado aos filmes anteriores, muito devido a falta de experiência com a indústria do ocidente e as barreiras de linguagem, apesar de declararem que tiveram a liberdade para trabalhar como queriam. Curiosamente o único que conseguiu manter a essência do filme coreano, talvez até melhorando em relação aos seus projetos passados, foi Joon-ho Bong com Snowpiercer – justamente por ter sido comandado por um estúdio coreano, a CJ Entertainment.

Mas afinal quem são esses caras com nomes confusos? Os mais populares diretores coreanos são alguns dos responsáveis pelo sucesso mundial que ocorre hoje. O trio de amigos acima fez muitos dos sucessos de bilheteria que impulsionaram a indústria. Você pode conhecer um pouco sobre cada um deles abaixo.

Chan-wook Park

MONSTRO

O pioneiro do cinema contemporâneo coreano trouxe a vida a Trilogia da Vingança, mencionada no início do texto. No entanto o mais reconhecido diretor coreano nunca sequer estudou cinema, e sim filosofia, além de ter criado um grupo de cinema na faculdade, se tornando um crítico depois. Mas após assistir O Corpo que Cai de Hitchcock, ele percebeu que deveria tentar ser um cineasta. Além da trilogia, Park também fez Zona de Risco, Sede de Sangue e “I’m a Cyborg but that’s okay“, além de filmes menores no início de sua carreira. Seus filmes geralmente focam na natureza humana e na vingança.

Seu mais recente filme, A Criada concorreu a Palma de Ouro em Cannes no ano passado, contando a história de uma criada japonesa que planeja dar um golpe na dona da casa.

Jee-woon Kim

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O favorito dos coreanos, Kim é conhecido por se arriscar em uma variedade de gêneros e talvez seja o diretor mais comercial dos 3. Da mesma geração de Park, ele também nunca estudou cinema, começando sua carreira conduzindo peças de teatro – alcançando seu sucesso nas telonas depois. Um dos hábitos mais curiosos do cineasta é seu envolvimento no lançamento dos DVDs de seus filmes, sempre buscando preenchê-los de conteúdo “behind the scenes” e versões comentadas.

No seu filme mais recente, lançado ano passado na Córeia, o diretor novamente abordou um gênero que nunca havia tentado antes: um drama histórico. Age of Shadows foi o filme mais antecipado pelos fãs coreanos e foi escolhido pelo comitê de cinema nacional para representar a nação na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, uma decisão polêmica já que A Criada era um dos favoritos nos prêmios anteriores, além de outras opções aclamadas, como The Wailing e Train to Busan.

Joon-ho Bong

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O mais jovem dos 3, com 47 anos hoje, Joon-ho Bong foi o único que teve uma formação em cinema. No entanto ele se formou em sociologia antes, onde também fazia parte de um clube de cinema, decidindo fazer um curso de 2 anos na Korean Academy of Film Arts anos depois. Durante o curso ele produziu 3 curtas, lançando sua carreira por meio de festivais.

Na Coréia ele é apelidado como “Bong Tae-il”, um trocadilho com “detalhe” devido a sua atenção em com cada pequeno aspecto de um filme. Ele também é conhecido por mudanças de tom durante suas obras, usando muito humor negro.

Seu maior sucesso é considerado o “Seven coreano”, baseado em fatos reais Memórias de um Assassinato é aclamado no mundo todo, além de ter lucrado na bilheteria.

Snowpiercer, seu filme mais recente, foi internacional, produzido por um estúdio tcheco e distribuído por um coreano, além de ser 80% em inglês – contando com atores de Hollywood no elenco. Produzido por seu amigo Chan-wook Park, o filme foi um sucesso de bilheteria, lucrando o dobro de seu orçamento – além de ter recebido críticas positivas.

Seu próximo filme também busca uma abordagem global, sendo produzido por 2 estúdios americanos e 1 coreano, além de ser distribuído no mundo inteiro pela Netflix. Okja sai esse ano e conta com uma mescla de atores coreanos e americanos, selecionado para concorrer a Palma de Ouro em Cannes, ele deve lançar dia 28 de junho.

Se não fosse por esses diretores, a Coréia talvez nunca tivesse chegado no nível que está hoje – produzindo filmes gigantes e ambiciosos, visando audiência no mundo inteiro. Foram eles que abriram as portas para vários novos diretores promissores no país, cada vez mais exibindo a riqueza e a qualidade de sua indústria do entretenimento. É o caso de filmes como The Wailing, Train to Busan e The World of Us. O primeiro aliás foi até produzido por um estúdio Hollywoodiano, apesar de não ter nenhuma cena em inglês, enquanto o último também demonstra a ascensão de diretoras no país – indicado ao festival de Berlim.

Apesar de apenas um do famoso trio estar lançando um filme esse ano, continuando o processo de globalização da indústria, ainda podemos esperar filmes de qualidade de novos diretores – ano passado já foi o 5º ano consecutivo onde mais de 100 milhões de pessoas foram assistir filmes coreanos. A Coréia está longe de parar, e seu futuro é promissor.

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