Portfolio online Arenas – Mordida

#Arenas por NewronioESPM



O Newronio, funcionando como uma das aberturas internéticas do Arenas, escolheu um tema aletório e pediu para que cada um, seja diretor de arte ou redator, fizesse o que faz de melhor: ilustrações e textos.

Com o tema “mordida”, a criatividade foi exercitada e o resultado, que pode ser usado como portfolio para cada participante, pode ser observado a seguir:

Ana Beatriz Nunes – Diretora de Arte

André Escalhão Atássio – Redator

Bruno Gonzalez Gonçalves - Diretor de Arte

Gustavo Paro – Diretor de Arte

Gustavo Paro (2) - Diretor de Arte

Ian Perlungieri – Redator

Ian Perlungieri (2) - Redator

Luiz Filipe Motta - Redator



Mande sua sugestão de tema para @NewronioESPM!


Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Plágio

#Contos por Ian Perlungieri



Apenas consegui adormecer depois de onze dias vendo o brilho das estrelas se misturando com a densa fumaça do meu cachimbo.

Porém não foram apenas duas horas de descanso como da última vez, e sim, um descanso de quinze horas.

Quinze horas.

Quinze horas de um descanso que invejo que os outros consigam todos os dias. Quinze horas utópicas. Quinze.

Após acordar eu soube, baseado no tempo que eu havia dormido, que não adormeceria tão cedo novamente. Mas não importava. Eu havia sonhado.

E, com os sonhos, vieram as ideias.

Um quadro. Um belo quadro. Seriam três retratos em uma tela na horizontal. No primeiro retrato havia dois macacos, um cego e um surdo com uma paisagem caótica que lembrava a vida real. No segundo havia dois macacos, um cego e um mudo com a mesma paisagem de fim de mundo. E, no terceiro, dois macacos. Um surdo e um mudo. Porém a paisagem seria bela o bastante para despertar a inveja em Deus.

Lindo! Extremamente metafórico! Todos o adorariam. Todos adorariam a mim.

Havia apenas um problema. Eu não pintava.

Meu quadro nunca se tornaria real e eu nunca seria adorado.

Não sabia o que fazer. Desabafei esse dilema para um amigo meu enquanto degustávamos a fumaça do cachimbo misturado com alguma bebida vagabunda.

Entretanto, ele era pintor. Meu quadro tornou-se dele e, no momento seguinte, ele não era mais o meu amigo.

Raiva. Fúria. Ira. Mais algumas noites sem dormir.

O brilhar das estrelas se misturando com a fumaça do cachimbo e com o gosto amargo da bebida vagabunda e, somente após treze dias, encontrei mais quinze horas de descanso.

Segunda vez que havia conseguido quinze horas. Quinze. O descanso havia me agradado o bastante para surgirem novos sonhos e ideias.

Após acordar soube novamente que meu novo descanso demoraria, mas ignorei a sensação. Ideias surgiram.

Uma fotografia. Brilhante! A imagem sarcástica de uma língua lambendo o chão. Forte. Impactante. Perturbadora. Todos a adorariam. Todos adorariam a mim.

Mas novamente havia um problema. Eu não possuía uma câmera. Pedi para que um amigo me emprestasse a dele. “Por quê?”, ele perguntou. E eu respondi.

Noites e mais um amigo foram perdidos e a raiva reapareceu.

Raiva. Fúria. Ira. Ódio.

O brilhar das estrelas se misturando com a fumaça do cachimbo que se misturava com o gosto amargo da bebida vagabunda que se misturava com minha boca seca, olhos ardentes e mau cheiro.

Mas adormeci. Não sei quanto tempo fiquei acordado até ter conseguido dormir. Não sei quanto tempo dormi dessa vez. Talvez quinze horas. Talvez mais.

Porém, desta vez, acordei sorridente, pois havia tido a melhor de todas as ideias.

Um conto. Finalmente eu serei adorado.



Siga e fale para quinze pessoas. Quinze: seguir o @NewronioESPM.


Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


O que acontece quando você entra no Newronio…

#Contos por Equipe Newronio

Era um mundo distante, planeta diferente, outra dimensão.

Lugar que ninguém conhecia cercado por deuterostômios e alguns protostômios.

Até que, certo dia, um ser irracionalmente racional deixou seus compatriotas racionalmente irracionais para lutar por um espaço maior na sociedade.

Ganhou espaço conseguindo a função de escrever para seres de outras dimensões por meio de um portal conhecido em todos os mundos.

Afinal, cada ser possui seu mundo, seu planeta, sua dimensão.

Um trabalho complicado.

Conheceu diferentes seres que tinham a mesma função que a sua:

Um sorridente louva-deus culto que lia diversos livros ao mesmo tempo e andava com uma sacola de feira, uma paráfrase humana do Visconde de Sabugosa.

Havia um pônei feliz que gostava de criar um arco-íris próprio usando imagens conhecidas do portal. Suas sábias frases traziam ao grupo grande poder humorístico e reflexivo.

Uma aliança que, com seus longos cabelos, trazia consigo a felicidade, a união e um charme próprio característico das poucas alianças que ainda existem.

Por fim, o cachorro que nunca latia. Entretanto, não era mudo. Sábias frases irônicas saiam de uma boca acostumada a fumar tabaco orgânico.

Newronio.

Mas conseguiram. Por um período de tempo responsabilizaram-se seriamente por um árduo compromisso e conseguiram. Comunicaram-se, com sucesso, com todas as dimensões.

A recompensa? Experiência. Finalmente cada um saiu da própria dimensão.

E, junto com as sinapses da imaginação, um grupo foi formado. Nasceram novos neurônios. Um Newronio.

Newronio mandando "oi" para você.

Siga o Newronio. Siga @NewronioESPM!


Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Um beijo

#Contos por Ian Perlungieri



Um beijo.
Sem paixão. Sem emoção. Sem desejo.
Ela sentia desejo, mas não por mim. Pelo meu corpo, pois era só isso que restava.
Não havia mais sentimentos em mim já fazia tempo. Depois de sofrer por alguém e ser descartado como lixo, depois de sentir algo e ser descartado como merda, depois de amar e ser descartado como a puta que o pariu. Nada mais restava.
Apenas um corpo. Barba mal feita, roupas rasgadas, indiferença com a vida. E, inexplicavelmente, foi nessa hora que algumas mulheres começaram a interessar-se por mim. Mas aquele com barba mal feita não era eu. Eu havia morrido antes.
Havia uma mulher muito especial. Grande amiga, grande pessoa. Éramos inseparáveis. Tão inseparáveis que começamos um relacionamento.
Mas não deu certo.
Ela me traía. A grande amiga, a grande pessoa morreu naquele momento. Naquele momento em que a vi com meu melhor amigo. Aqueles gemidos no banheiro da faculdade. Ouvi-la gritando de prazer um nome que não era o meu. E depois flagrá-los. Vê-los. Tendo prazer um com o outro.
Naquele momento tudo morreu. Todos os meus amigos. Não podia mais confiar em ninguém. Esperança morreu, fé morreu, sentimento morreu.
Agora eu era assim. Indiferente com tudo e todos.
E por isso comecei a chamar atenção. Mulheres apaixonavam-se loucamente por mim e eu sempre as recusei.
Exceto uma. A que estou agora. Era a menos bonita delas, porém era a mais apaixonada. Uma paixão mais verdadeira, mais intensa, mais algo.
Era disso que eu precisava. De alguém que me amasse.
Mas eu odiava tudo isso! Aquele beijo sem sentimento! Aquele beijo chato, estúpido, sem finalidade.
Eu nem sabia que estava beijando alguém. Estava pensando em saber se a pia da cozinha estava pingando. Em consertar a janela da sala. Na fome na África.
Não havia finalidade naquilo.
Parei de beijá-la e ela percebeu que ia acontecer. Eu iria terminar.
Ela me encarou com aqueles grandes olhos pidões.
- O que foi? – ela perguntou.
Pensei nela em um futuro próximo. De barba mal feita, roupas rasgadas e indiferença com a vida. Exatamente como a mim. E senti pena.
- Nada. – eu respondi.
E voltamos a nos beijar.



Mande um beijo pra gente: @NewronioESPM


Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Estrela de David

#Contos por Equipe Newronio

 

Nada havia
Nada a ver
Tudo a ver nada
Um gato peludinho

Não dá via
Não, Davi
Nada, Vi
Não-dá-via

Nada via
Nadavia
Nadaver
Nada a ver

Não, Davi, para
Não, Davi, não
Para, não
Para
Não para Davi
Ai
Gozei

The End

Lembram-se de “Reflexões de uma mosca em empreitada feroz” ? Aquele post em que os redatores do Newronio montaram, unidos pela criatividade, um conto digno de prêmios internacionais?
Portanto, mais uma vez, inspirados por forças inexplicáveis, uma nova história foi montada! Porém, desta vez, é um poema que vos entrego! Um poema feito com carinho e amor por todos do Newronio!
Abaixo o making of da superprodução:

Processo criativo

 

Siga um gato peludinho: @NewronioESPM


Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


O vão entre o trem e a plataforma

#Contos por Ian Perlungieri

Lá estava eu, sentado, no sacode-sacode monótono daquele trem.
Voltava olhando a paisagem pela janela. Escuro. Silhueta de algumas árvores, a sombra de uma pessoa andando na rua que havia ao lado dos trilhos, um cachorro solitário, bem, pelo menos parecia um cachorro. Poderia ser um gato ou uma ratazana ou um gambá, entretanto, lá estava um animal solitário.
Enquanto isso, dentro do trem, eu estava sozinho. Trem amedrontador e silencioso, tirando o monótono sacode-sacode.
Não havia ninguém no vagão em que eu estava. Apenas eu e minha inseparável mochila. Digo inseparável porque realmente era. Lá dentro estavam alguns tesouros. A própria mochila já era um tesouro. Presente da minha avó que já descansa em paz, alças em excelente estado apesar de já possuir certo tempo de vivência comigo, além de uma capacidade surpreendente de carregar coisas. Juro! Ela carregava muitas coisas. 
Dentro dela havia uma foto minha com a minha esposa. No fundo da foto o colorido de um quarto de bebê. Desde que minha esposa morrera no parto juntamente com minha filha, aquela foto ia para qualquer lado que eu fosse.
Havia mais uma foto. Eu e meu irmão mais velho, abraçados e sorrindo. Eu, criança, segurando uma bola de futebol. Nós dois sujos de barro. Ele teve uma discussão séria com o meu pai a respeito de sua opção sexual. Meu pai o expulsou de casa e eu nunca mais o vira. Sinto falta dele. É a única lembrança que eu tenho dele.
Também havia uma marca de lábios em um pequeno cartão. O cartão de meu novo grande amor. Após perder minha esposa fora uma das primeiras pessoas que me fez sorrir. Uma pequena brincadeira da terapia em grupo. Entregar um cartão com uma mensagem de felicidade para as outras pessoas que participavam. E ela me enviou esta mensagem. Uma marca de lábios. Ela entregou na minha mão, rindo, alegre, fazendo com que eu sorrisse para ela depois de muito tempo sem dar um sorriso.
Havia também um bicho de pelúcia. Um pequeno urso rosa sem um dos olhos e sem uma das orelhas. Enquanto eu chorava do lado de fora do hospital após saber que minha esposa havia falecido, uma menina de rua me dera este urso.
Compaixão humana. Uma menina que tinha menos que eu, uma menina que cedeu o que era importante para ela para que eu me alegrasse um pouco. Sorri para ela. Abracei-a. Chorei nos seus ombros. Nunca soube o nome dela, mas tenho o urso até hoje.
Lá estava eu e minha mochila e o sacode-sacode diminuía ao aproximar-se da estação. O silêncio do trem prosseguia. Amedrontador a solidão de um vagão vazio.
Levantei-me. O trem para e a porta abre automaticamente não sem antes a voz eletrônica dizer para que, quem quer que descesse, tomasse cuidado com o vão entre o trem e a plataforma.
Ignorei o aviso e a porta abriu. Não havia plataforma. Havia apenas o vão. Um buraco sem fundo e escuro. Assustador. Mortal. Perguntei-me como era possível não haver plataforma.
Um vão. Fundo. Sem vida. Sem esperança.
Mas eu tinha esperança. Dentro da minha mochila. Meus tesouros e minhas esperanças.
Tudo isso aconteceu em alguns segundos, logo, o apito começou a tocar indicando que a porta automática se fecharia. Algo deveria ser feito. Era a estação terminal e quem sabe para onde iria o trem?
Choro. Lágrimas amargas escorrem em meu rosto, porém, algo muda. Vejo a plataforma, distante, a alguns metros do trem. Entre eles, o vão sem fim.
O apito continua a tocar.
Continuo a chorar. Minha mochila me consola. É um apoio. Algo muda. A plataforma está mais próxima. Não muito, porém mais próxima. A porta automática começa a fechar e, desesperado, pulo.
Caio no vão.

Acordo ao bater a cabeça no vidro da janela do trem. Lá estava eu, cercado por pessoas que dormiam acordadas naquele vagão. Olhos que focavam o infinito, pessoas que dormiam em pé, entretanto havia algum barulho de conversa, comentários de uma velha sobre a grande quantidade de pessoas no trem daquela noite, bêbados que cantavam sozinhos.
Olho para a paisagem. Escura, sombria… Exatamente como no meu sonho.
E, como no meu sonho, sentia-me solitário, vazio naquela monotonia.
Entretanto percebo que furtaram minha mochila. Minha companheira. Meus tesouros. 
Choro, mais sozinho do que nunca. Mas nada muda, nem ninguém me consola. O sacode-sacode monótono do trem não para.
Após chorar bastante, os olhos que antes olhavam para o infinito focam-se em mim e desconhecidos me olham com desconfiança. Ignoro-os.
Tento voltar a dormir para reencontrar minha mochila, porém chega na estação que desço. Minha tentativa de dormir novamente foi em vão.

Se seguir a gente você viverá para sempre: @NewronioESPM


Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Nós

#Contos por Ian Perlungieri
Lá estava eu, parado, observando uma quantidade infinita de barbantes.
Contei-os, mentalmente.
Seria possível entrelaçá-los? Fazer nós com todos os barbantes?
Comecei a missão que parecia impossível.
Um tempo longo e indeterminado passou. Minha cabeça doía, meus dedos estavam dormentes e meus olhos ardiam. Entretanto, finalmente, atingi meu objetivo. Nós infinitos foram feitos.
Foi então que notei que restava um barbante. Um. Único. Solitário. Não havia mais nós possíveis.
Guardei o barbante.
Nunca houve nós. Por mais que eu tentasse, nós desapareceriam. E o barbante solitário choraria em meu bolso, pois ele achou que haveria nós infinitos.
Ilustração de Fernando Simões

 

 

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Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.