“Papers, Please”, um clássico cult dos games, foi aclamado em 2014 por sua simplicidade inovadora. O jogo se descreve como um suspense distópico documental. No caso, o sentido de documental é bem literal, ele é inteiramente baseado em verificar documentos. Seu gameplay está mais para um puzzle do que qualquer outra coisa, o jogador tem que decorar regras e se adaptar para fazer suas decisões.

Mas o que realmente tornou o game em um clássico é sua ideia, seu contexto, seu universo. Nele você joga como um oficial da imigração de Arstotzka, um país em constante conflito com seus vizinhos, devendo então decidir quem entra no país ou não. Além de todos os dias as regras mudarem e dificultarem seu trabalho, você entra em vários dilemas morais, com pessoas contando histórias tristes, te chantageando ou lhe implorando para passar. A questão é que quanto mais pessoas você passar mais dinheiro você ganha, algo essencial para você, já que está difícil de sustentar sua família.

Essa ideia foi criada para sustentar a mecânica do jogo, que nem é tão focado em sua história, apesar de ter criado um universo interessante e complexo. Demonstrando a burocracia de fronteiras em estado de emergência, além de trazer momentos impactantes por meio de personagens desesperados dentro de uma sociedade distópica.

Por isso, estão adaptando o jogo para um curta-metragem. Contado inteiramente em russo, assim como o jogo original, o filme parece tão promissor quanto é fiel ao original. Colocando mais em pauta o lado dos dilemas desse oficial do governo, ao invés de sua necessidade de decorar as regras para se adaptar ao sistema. Ou seja, o gameplay foi trocado pela história, o que obviamente faz todo o sentido.

 

Viciado em Games, viciado em futebol, viciado em cinema, viciado em séries e viciado em drogas pesadas: leite, glúten e anime.