Não demorou muito para a DC evidenciar sua confusão temporal no cinema. Este elemento contribuiu negativamente para o controverso roteiro de Batman V Superman. E nessa mesma escola dos X-Men no cinema e todas as outras coisas que envolvem super heróis, os quadrinhos da DC tornaram-se referência em confundir a mente dos leitores.

Não satisfeita com a criação de inúmeras “Terras” para abrigar os personagens oriundos de universos paralelos, é comum a própria editora se confundir com a sua linha do tempo e decidir criar um “grande evento no mundo dos quadrinhos” para limpar o que foi feito antes e reiniciar a história dos heróis. Desde 1985, com a Crise nas Infinitas Terras, os leitores encontram dificuldades em saber o que realmente conta dentro da cronologia. A editora descobriu que para “consertar” a sua timeline, precisaria apenas de um personagem velocista que consegue alternar entre dimensões e uma treta cósmica.

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Por mais que clássicos das origens e “últimas histórias” dos personagens tenham surgido desses reboots (como Batman Ano Um e O que aconteceu ao Homem de Aço?), as inúmeras crises da DC (exceto Crise de Identidade) não implicam apenas em mudanças nas histórias ou na recontagem da numeração das revistas. Isso é a tradução de uma estratégia puramente comercial: toda vez que uma cronologia é zerada, as vendas explodem. Não há nada que venda mais do que revistas número um de heróis.

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Após Ponto de Ignição (história utilizada para iniciar o reboot dos Novos 52), a editora apela mais uma vez para a restauração do universo. DC Rebirth já começou a sair no exterior e deve chegar no Brasil nos próximos meses pela Panini Comics. E mesmo com boas críticas nos reviews gringos, o novo universo se aproveita de elementos pré e pós Novos 52 na história de personagens, colaborando ainda mais para a confusão do que realmente conta na cronologia, além de ter gerado discussão sobre a utilização de clássicos fechados no universo.

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Crítico mirim, desenhista amador, escritor júnior e futuro quadrinista (se tudo der certo).