É perfeitamente compreensível a rápida associação dos anos 60 com o movimento hippie: a luta pela liberdade e da substituição de discursos de ódio pela paz e amor escancarou para o mundo os males do corporativismo e apresentou um novo modo de se relacionar com a vida, natureza e arte.

A música era o meio de expressão absoluto do movimento e para isso se destaca a importância de 1967. Marcado pelas estreias de Pink Floyd, The Jimi Hendrix Experience, Big Brother & The Holding Company, The Doors, Jefferson Airplane, The Velvet Underground, Cream e de álbuns como Their Satanic Majesties Request, dos Stones e o conceituado Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, o ano se consagrou como definitivo quando se trata da insatisfação quanto ao modelo de vida imposto pelo capitalismo, aos governantes, ao avanço tecnológico, à falta de liberdade sexual e a busca de conexões contemplativas interpessoais e com o meio ambiente.

Grateful_Dead_(1970)

 

Neste mesmo tempo, outro marco da música também lançava seu primeiro álbum. Auto intitulado com o nome da banda, “The Grateful Dead” viria a significar muito além de mais um ótimo disco do ano: a sintonia presente entre os integrantes da banda (principalmente nos jams ao vivo), as experiências com LSD no final dos anos 60, a dedicada e extensa fanbase (chamados de “Deadheads”) e a genialidade de Jerry Garcia foram apenas algumas das marcas que tornaram a identidade do Grateful Dead única e reconhecida como uma das maiores bandas de rock do mundo.

A importância do grupo para o gênero psicodélico poderá ser conferida no novo documentário (de quatro horas) de Amir Bar-Lev. Produzido por Martin Scorsese, o filme contemplará a história e influência da banda californiana para o mundo, suas histórias e filosofia. Dedicado àqueles que vivem abertos às possibilidades e à imaginação, ‘Long Strange Trip’ será lançado dia 2 de junho pela Amazon.

 

 

Crítico mirim, desenhista amador, escritor júnior e futuro quadrinista (se tudo der certo).