Her Story talvez seja mais uma experiência interativa do que um game propriamente dito, já que o jogador faz mais fora do universo do jogo do que dentro. Lá dentro tudo o que você faz é digitar palavras em um desktop e assistir vídeos, enquanto fora você se torna um detetive – anotando tudo, criando conexões entre os personagens, teorias e tentando desvendar o mistério junto com seus parceiros.

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O Youtuber Writing on Games fez uma análise comparando o jogo com clássicos da literatura, demonstrando como o jogo quebra regras e expectativas de seu gênero, o famoso “whodunit” ou a história de detetive. Cuidado pois o vídeo contém alguns spoilers chegando perto do meio, o narrador avisa.

Basicamente o jogo é uma história onde o espectador parte da epistemologia, questões de significado, para a ontologia, questões de onde. Mudando completamente o gênero whodunnit, já que Her Story já começa te dando algumas respostas, te deixando então o dever de descobrir quem é aquela pessoa falando com você, onde ela está, quando tal entrevista está na linha do tempo dos acontecimentos e coisas do tipo – realmente o trabalho de um detetive.

É quase uma simulação de detetive, mas por trás de tudo isso ele ainda tem uma narrativa. Você não sabe quem é a pessoa sendo interrogada, muito menos quem você controla, o jogo simplesmente te coloca na posse de um computador. No entanto Her Story é tanto sobre a pessoa nas entrevistas, quanto você o jogador, oferecendo uma experiência completamente diferente de um jogador para o outro.

Mesmo 2 anos depois de seu lançamento, poucos são os jogos que conseguiram proporcionar uma experiência parecida com a de Her Story, que se tornou um marco para a indústria – quebrando todas as regras tradicionais na sua criação. O jogo não recompensa o jogador de uma forma tradicional, apesar de também exigir que ele resolva problemas, ele busca a imersão e a atinge com perfeição.

Viciado em Games, viciado em futebol, viciado em cinema, viciado em séries e viciado em drogas pesadas: leite, glúten e anime.