Categoria: Contos

Ela e eu

#Contos por Ian Perlungieri



Inspira. Pausa. Expira. Pausa. Inspira. Pausa. Expira.

Ela, vestida de cetim, me procurava.

Eu, vestido de medo, me escondia.

Inspira. Pausa. Expira. Pausa. Inspira. Pausa. Expira.

Ela observava ao redor, em busca de mim.

Eu observava ao redor, em busca de fuga.

Inspira. Pausa. Expira. Pausa. Inspira. Pausa. Expira.

Ela me encontra.

Eu encontro a porta.

Inspira. Expira. Inspira. Expira.

Ela corre.

Eu corro.

Inspira. Expira. Inspira. Expira.

Ela veloz.

Eu em câmera a lenta.

Inspira. Expira. Pausa.



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Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Ambição em uma comunidade do futuro

#Contos por Ian Perlungieri



Eu sorria e o velho chorava.

Enquanto eu conversava alegre e idiota pelo telefone com aquela garota, o velho chorava ao meu lado. Lágrimas escorriam do seu rosto enrugado e rugas se formavam em meu rosto sorridente.

Além de nós também havia outras pessoas naquele espaço apertado do transporte público. Pessoas cinzentas, conversas altas, um menino que tentava, atrapalhadamente, tocar um violino, uma grávida, dois cachorros e mais pessoas cinzentas.

O artista, a grávida e os animais corriam um grande risco por estarem ali. Todos nós sabíamos que não era permitido, porém ignorávamos. Dificilmente os militares apareceriam. O artista tocava, a grávida conversava, os cachorros latiam, o velho chorava e eu sorria.

Depois da longa conversa, desliguei o celular e o coloquei, com grande dificuldade devido ao grande número de pessoas que me apertavam, em meu bolso.

Observei o transporte novamente: o artista ajeitara o seu violino e tocava alguma música clássica, a grávida dormira, os cachorros deitaram mal acomodados naquele piso porco e o velho, em pé ao meu lado, também dormia.

Ignorei-os novamente. A monotonia deles não abalaria a minha felicidade. Havia acabado de falar com uma mulher linda e, logo, ela seria a minha esposa. Ela só precisaria aceitar o pedido e eu só precisaria comprar o anel.

Entretanto, para comprar o anel, todo aquele caos deveria ser vivenciado. Novas taxas teriam que ser pagas e eu seria o novo último da fila de espera, com um casamento marcado para daqui a 30, 35 anos.

Não poderia esperar tanto tempo. Sim, apelarei para o mercado negro: com a venda do meu celular, conseguiria um anel. Vagabundo, porém um anel. Apalpei o meu bolso com dificuldade para certificar-me que o celular permanecia lá, porém havia apenas o vazio.

Desesperei-me, mas, ao apalpar, involuntariamente, a calça do velho que dormia em pé, percebi que havia colocado o meu celular em seu bolso por engano.

Seria estranho se eu o acordasse para pedi-lo de volta. O velho poderia acusar-me de roubo dizendo que o meu celular era dele e Deus sabe lá o que os militares fariam comigo. Não. Eu o coloquei lá, eu o tiraria de lá.

A massa cinzenta conversava ou dormia e ninguém notaria a minha mão boba entrando no bolso do velho que dormia em pé ao meu lado.

Apalpei o bolso daquela calça surrada e puxei o que acreditei ser o meu celular. Não era. Era ouro. Ouro. Ouro.

Comecei a colocá-lo em meu bolso com um êxtase indescritível. Melhor do que eu sentia com a garota, com o doce, com a luxúria. Nunca havia experimentado algo do tipo.

Esqueci o meu celular. Do bolso só saía ouro e mais ouro. Conseguiria comprar o mercado negro inteiro. Compraria aquilo que a garota sonhava. Compraria aquilo que eu sonhava.

Meu bolso estava carregado de ouro. Estava sendo um dia perfeito.

Porém, de repente, o transporte parou e os militares entraram:

- Mão na cabeça! Todo mundo, todo mundo!

Os cachorros correram, porém um caiu morto devido ao tiro dado pelo militar. O outro escapou. Maldito sortudo!

O violino do artista foi queimado enquanto outros dois mais jovens chutavam a grávida.

- Estamos procurando uma grande quantia de ouro que foi furtada do deputado. – falou aquele que parecia o capitão – Quem aqui tiver algum objeto feito desse material nos acompanhará para a execução.

Olhei para o velho. Ele, assustado, apalpou os bolsos da calça e, curioso, de lá tirou o meu celular.

- Mão na cabeça! Mão na cabeça! Tira mais alguma coisa do bolso que você morre! – gritou um militar para o velho.

O velho larga o celular, que cai no chão e quebra. Ele olhou para mim e soube. Ele sorriu e eu chorei.



Seguir o @NewronioESPM nunca foi um crime!


Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Plágio

#Contos por Ian Perlungieri



Apenas consegui adormecer depois de onze dias vendo o brilho das estrelas se misturando com a densa fumaça do meu cachimbo.

Porém não foram apenas duas horas de descanso como da última vez, e sim, um descanso de quinze horas.

Quinze horas.

Quinze horas de um descanso que invejo que os outros consigam todos os dias. Quinze horas utópicas. Quinze.

Após acordar eu soube, baseado no tempo que eu havia dormido, que não adormeceria tão cedo novamente. Mas não importava. Eu havia sonhado.

E, com os sonhos, vieram as ideias.

Um quadro. Um belo quadro. Seriam três retratos em uma tela na horizontal. No primeiro retrato havia dois macacos, um cego e um surdo com uma paisagem caótica que lembrava a vida real. No segundo havia dois macacos, um cego e um mudo com a mesma paisagem de fim de mundo. E, no terceiro, dois macacos. Um surdo e um mudo. Porém a paisagem seria bela o bastante para despertar a inveja em Deus.

Lindo! Extremamente metafórico! Todos o adorariam. Todos adorariam a mim.

Havia apenas um problema. Eu não pintava.

Meu quadro nunca se tornaria real e eu nunca seria adorado.

Não sabia o que fazer. Desabafei esse dilema para um amigo meu enquanto degustávamos a fumaça do cachimbo misturado com alguma bebida vagabunda.

Entretanto, ele era pintor. Meu quadro tornou-se dele e, no momento seguinte, ele não era mais o meu amigo.

Raiva. Fúria. Ira. Mais algumas noites sem dormir.

O brilhar das estrelas se misturando com a fumaça do cachimbo e com o gosto amargo da bebida vagabunda e, somente após treze dias, encontrei mais quinze horas de descanso.

Segunda vez que havia conseguido quinze horas. Quinze. O descanso havia me agradado o bastante para surgirem novos sonhos e ideias.

Após acordar soube novamente que meu novo descanso demoraria, mas ignorei a sensação. Ideias surgiram.

Uma fotografia. Brilhante! A imagem sarcástica de uma língua lambendo o chão. Forte. Impactante. Perturbadora. Todos a adorariam. Todos adorariam a mim.

Mas novamente havia um problema. Eu não possuía uma câmera. Pedi para que um amigo me emprestasse a dele. “Por quê?”, ele perguntou. E eu respondi.

Noites e mais um amigo foram perdidos e a raiva reapareceu.

Raiva. Fúria. Ira. Ódio.

O brilhar das estrelas se misturando com a fumaça do cachimbo que se misturava com o gosto amargo da bebida vagabunda que se misturava com minha boca seca, olhos ardentes e mau cheiro.

Mas adormeci. Não sei quanto tempo fiquei acordado até ter conseguido dormir. Não sei quanto tempo dormi dessa vez. Talvez quinze horas. Talvez mais.

Porém, desta vez, acordei sorridente, pois havia tido a melhor de todas as ideias.

Um conto. Finalmente eu serei adorado.



Siga e fale para quinze pessoas. Quinze: seguir o @NewronioESPM.


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Tic Tac Tic

#Contos por Ian Perlungieri



A população assistia.

O idoso de 112 anos duelava com o relógio.

Apesar da idade, o idoso era o gatilho mais rápido do mundo. Ninguém o desafiava.

Porém ele o desafiou! O relógio!

Ambos iriam sacar suas armas. Um irá morrer, o outro, sobreviver.

A população torcia pelo idoso. Momento de tensão.

Apesar da esperança e da torcida, foi o corpo do idoso que caiu no chão devido aos dois tiros dados pelo relógio.

O idoso não esperava. A população não esperava. Ninguém esperava.

O relógio era bem mais rápido do que eles imaginavam.






Não perca o seu tempo! Siga o @NewronioESPM!


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Chuva

#Contos por Ian Perlungieri



O menino de rua estava quase adormecendo.

Usava uma caixa de papelão como cobertor e tinha o toldo de um chaveiro como telhado.

Eram 23h00min. Poucas pessoas na rua. Começa a chover.

A queda d’água faz o menino reabrir seus olhos. Começa a observar a chuva.

Pega uma tigela que sempre enchia com água da chuva e a empurra para fora da segurança do toldo.

Tira a caixa de papelão de cima de suas roupas rasgadas e fica de pé.

Pega a tigela e dela bebe.

O gosto que sentiu não foi de água, e sim, de refrigerante. Bebeu toda a tigela.

Chuva de refrigerante?

Saiu de baixo do toldo, virou a cabeça para cima e abriu a boca. Refrigerante! Estava chovendo refrigerante!

Virou-se, maravilhado, tentando achar alguém na rua para ele dizer que estava presenciando um milagre!

Não achou. Estava só naquele local.

Esboçou um largo sorriso. Virou sua cabeça para cima e abriu a boca novamente.

Algo acerta sua cabeça! Uma bola de tênis!

Começa a chover bolas de tênis! Bolas de tênis?

O garoto volta para a segurança do toldo. A bola de tênis havia machucado sua testa.

Observa grande quantidade de bolas de tênis caindo.

Pouco tempo depois, algo fura o toldo e acerta o pé descalço do garoto.

O menino dá um grito de dor e observa o próprio pé para ver o que o havia ferido.

Um prego.

Ao retirá-lo o menino grita novamente. Sangue começa a sair do local atingido.

Começa uma chuva de pregos. O toldo não era mais um lugar seguro.

Começa a correr e berrar, desesperadamente.

Enquanto procurava segurança, seus ombros e pernas são atingidos por outros pregos.

Fica sob um orelhão e começa a chorar. De dor e medo. Retira os pregos dos ombros e pernas e também percebe que um deles havia atingido sua sobrancelha.

Uma formiga o pica no local onde o prego havia caído pela primeira vez. Sacode seu pé com força e a formiga é lançada para longe do orelhão.

Começa a chover formigas e elas, após caírem no chão, começavam a perseguir o garoto.

Pisa em algumas. Precisa fugir. Outras sobem em seu pé.

Avista o metrô. Segurança.

Esmaga uma formiga que estava em sua perna com a palma de sua mão esquerda e corre em direção ao metrô.

Tira a regata rasgada que usava durante o caminho, pois nela havia muitas formigas, porém, enquanto gritava e tirava sua regata, tropeça na sarjeta.

As formigas caem em seu pescoço, sua boca, seus olhos, suas partes íntimas e o mordem. Formam um cobertor de formigas em cima daquele menino.

Continuava a gritar. Chorava. Seu corpo estava sendo dilacerado. Formigas estavam dentro dele. Com um olho ainda destampado por elas, as via comendo seu pé e via o próprio osso da mão. Seus músculos já haviam sido triturados. O sangue jorrava de todas as partes de seu corpo.

O chaveiro, ao abrir a loja no dia seguinte, estranhou não encontrar o menino de rua que dormia embaixo de seu toldo. Enquanto isso, em outro continente, um garoto estava muito feliz por saborear uma adocicada chuva de refrigerante.



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Como se fosse uma pessoa

#Contos por Ian Perlungieri



- Senta!

O cachorro obedeceu.

- Agora rola!

E o animal, obedecendo a seu dono, começa a rolar na calçada de pedra.

Seu dono, um velho senhor de cabelos grisalhos esboçou um sorriso de satisfação.

- Muito bem! Muito bem! Toma seu biscoito!

O cão lambe o próprio focinho e caminha em direção ao velho, que estava com o biscoito na mão.

Timidamente, lambe a mão de seu dono que, após esse gesto de carinho, larga o biscoito que é devorado pelo animal.

- Que bonitinho! – disse uma mulher que se aproximava.

- Ele é muito inteligente. – falou o velho senhor.

- Ele tem nome? – ela perguntou e começou a acariciar a cabeça do animal.

- Pedro.

- Pedro?

- Sim. – ele respondeu – Por quê? Este nome te incomoda?

- Não! Claro que não! É um nome diferente, apenas.

- Você nunca conheceu ninguém chamado Pedro? – ele perguntou rígido.

- Cachorro, não.

- O Pedro é inteligente demais para ser considerado um cachorro!

E Pedro latia, abanando o rabo positivamente para seu dono enquanto a mulher acreditava ter percebido um olhar de fúria no animal.

A mulher, um pouco aflita com o que o senhor dizia e com a aparente violência no olhar do cão, perguntou:
- Quem ensinou estes truques pra ele?

- Eu.

- Você trabalha com animais?

- Animais?

- Sim, o seu cachorro…

- Ele não é um animal! – interrompeu o velho, um pouco grosseiro.

- Tudo bem. – falou a mulher um pouco ofendida esboçando um falso sorriso – Tenho que ir.

Após ela sair o velho levanta-se do banco da praça e, apoiado em sua bengala, assobia para que seu cachorro o acompanhe.

Logo depois de caminharem um pouco chegam a um edifício. O velho começa a falar com seu cachorro.

- Esses idiotas não sabem do que você é capaz!


Após entrarem no edifício o animal fica em duas patas e, com o focinho, pressiona o botão para chamar o elevador.

Depois de entrarem no elevador o cachorro repete o procedimento e pressiona o botão que indicava o segundo andar.

Após chegar a seu andar e deixar que o cão abrisse a porta do apartamento, o velho encheu uma tigela de vidro com biscoitos.

O cachorro latiu, satisfeito.

O velho tira um pedaço de bife da geladeira e o esquenta no microondas.

Quando a máquina termina seu serviço ele pega seu bife e senta-se em sua mesa.

Corta um pequeno pedaço de seu bife e, antes de colocá-lo em sua boca, ouve um gemido de seu animal. Percebe que o cachorro está ao seu lado, lambendo o próprio focinho e encarando seu dono.

- O que você quer? Já comeu seus biscoitos?

O cão continua a encará-lo.

- Você não vai comer esse bife!

O animal gane baixo, quase como um sussurro.

- O que é que você tem?

Lambe o próprio focinho e continua a observar os olhos do dono.

- Para com isso! – irrita-se o velho – Para…

Sua fala desaparece. Põe a mão em seu peito e sente uma dor aguda e intensa.

- Ajuda! – grita. Olha para o cachorro que continua a encará-lo – Eu te ensinei, lembra? Chama ajuda!

O cão não chamou ajuda. Nem deitou ao lado do dono com qualquer outro cachorro.

O animal vomitou aqueles biscoitos detestáveis no rosto de seu dono que agonizava, ficou em duas patas, comeu o bife e saiu do apartamento enquanto o velho morria.

Cruel, como se fosse uma pessoa.



A humanidade ainda tem chance! Basta seguir o @NewronioESPM!


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Sophia

#Contos por Ian Perlungieri



E a mãe de Sophia a aguardava ansiosamente para o café da manhã como fazia todas as manhãs. Porém, especificamente naquela manhã, Sophia não aparecera. E a mãe, com o passar das horas, preocupava-se cada vez mais.

E o funcionário do restaurante que Sophia frequentava a aguarda para lhe entregar a marmita que ela pedia todos os dias. Estranhou bastante quando a doce voz de Sophia não foi ouvida e ela não entrou no restaurante nem no horário que costumava ir e nem depois.

E a professora de latim de Sophia começava a ficar com raiva dela. Ela não aparecera. “Melhor para mim”, pensava a professora, “ganho mais dinheiro sem dar nenhuma aula”. E a professora permanecia sentada olhando para a porta que não era aberta por Sophia e nem por ninguém.

Enquanto isso, o garoto que brincava de esconde-esconde com Sophia não a encontrava. Ele estava quase desistindo quanto pensou ter visto uma manga de camisa atrás do poste. Entretanto, não era Sophia quem estava lá. Nem lá, nem em nenhum lugar.

O autor sofre um ataque cardíaco e, por causa disso, todos param de pensarem Sophia. Afinal, ela nunca existiu. A mãe de Sophia era sua vizinha louca. Nunca teve filhos. O funcionário do restaurante era o mendigo que limpava pára-brisas de carros. A professora de latim era uma ex-namorada. E o garoto? Bem… O garoto era o próprio autor que se perdeu de sua irmã em uma brincadeira quando eram crianças. O autor jamais encontrou Vivian, porém outro o fizera.

A esposa do autor o leva para o hospital e ele permanece vivo. Vivian havia morrido. Sophia não.



Quem é legal e bonito segue o @NewronioESPM. Quem não é, não.


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O que acontece quando você entra no Newronio…

#Contos por Equipe Newronio

Era um mundo distante, planeta diferente, outra dimensão.

Lugar que ninguém conhecia cercado por deuterostômios e alguns protostômios.

Até que, certo dia, um ser irracionalmente racional deixou seus compatriotas racionalmente irracionais para lutar por um espaço maior na sociedade.

Ganhou espaço conseguindo a função de escrever para seres de outras dimensões por meio de um portal conhecido em todos os mundos.

Afinal, cada ser possui seu mundo, seu planeta, sua dimensão.

Um trabalho complicado.

Conheceu diferentes seres que tinham a mesma função que a sua:

Um sorridente louva-deus culto que lia diversos livros ao mesmo tempo e andava com uma sacola de feira, uma paráfrase humana do Visconde de Sabugosa.

Havia um pônei feliz que gostava de criar um arco-íris próprio usando imagens conhecidas do portal. Suas sábias frases traziam ao grupo grande poder humorístico e reflexivo.

Uma aliança que, com seus longos cabelos, trazia consigo a felicidade, a união e um charme próprio característico das poucas alianças que ainda existem.

Por fim, o cachorro que nunca latia. Entretanto, não era mudo. Sábias frases irônicas saiam de uma boca acostumada a fumar tabaco orgânico.

Newronio.

Mas conseguiram. Por um período de tempo responsabilizaram-se seriamente por um árduo compromisso e conseguiram. Comunicaram-se, com sucesso, com todas as dimensões.

A recompensa? Experiência. Finalmente cada um saiu da própria dimensão.

E, junto com as sinapses da imaginação, um grupo foi formado. Nasceram novos neurônios. Um Newronio.

Newronio mandando "oi" para você.

Siga o Newronio. Siga @NewronioESPM!


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11 de setembro de 2001

#Contos por Ian Perlungieri



E foi no dia 11 de setembro de 2001 que aconteceu.

Um fazendeiro, sem ter o que comer, sacrificou a única mula que tinha. Companheira, amiga, alimento.

Um velho professor estuprou um garoto de seis anos. As rugas e a falta delas se unindo em uma mistura inconstante.

Um homem conseguiu um “sim” da mulher que amava.

Uma criança nasceu.

Uma menina quebra um recorde.

Uma unha quebra.

Alguém pisa na bosta.

E tantas outras pessoas pensando em coisas menos importantes.


O simples bater das asas de uma mosca pode causar o bater de asas de uma borboleta do outro lado do mundo.





O que você fazia em 11 de setembro de 2001? Conte para a gente: @NewronioESPM


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Um beijo

#Contos por Ian Perlungieri



Um beijo.
Sem paixão. Sem emoção. Sem desejo.
Ela sentia desejo, mas não por mim. Pelo meu corpo, pois era só isso que restava.
Não havia mais sentimentos em mim já fazia tempo. Depois de sofrer por alguém e ser descartado como lixo, depois de sentir algo e ser descartado como merda, depois de amar e ser descartado como a puta que o pariu. Nada mais restava.
Apenas um corpo. Barba mal feita, roupas rasgadas, indiferença com a vida. E, inexplicavelmente, foi nessa hora que algumas mulheres começaram a interessar-se por mim. Mas aquele com barba mal feita não era eu. Eu havia morrido antes.
Havia uma mulher muito especial. Grande amiga, grande pessoa. Éramos inseparáveis. Tão inseparáveis que começamos um relacionamento.
Mas não deu certo.
Ela me traía. A grande amiga, a grande pessoa morreu naquele momento. Naquele momento em que a vi com meu melhor amigo. Aqueles gemidos no banheiro da faculdade. Ouvi-la gritando de prazer um nome que não era o meu. E depois flagrá-los. Vê-los. Tendo prazer um com o outro.
Naquele momento tudo morreu. Todos os meus amigos. Não podia mais confiar em ninguém. Esperança morreu, fé morreu, sentimento morreu.
Agora eu era assim. Indiferente com tudo e todos.
E por isso comecei a chamar atenção. Mulheres apaixonavam-se loucamente por mim e eu sempre as recusei.
Exceto uma. A que estou agora. Era a menos bonita delas, porém era a mais apaixonada. Uma paixão mais verdadeira, mais intensa, mais algo.
Era disso que eu precisava. De alguém que me amasse.
Mas eu odiava tudo isso! Aquele beijo sem sentimento! Aquele beijo chato, estúpido, sem finalidade.
Eu nem sabia que estava beijando alguém. Estava pensando em saber se a pia da cozinha estava pingando. Em consertar a janela da sala. Na fome na África.
Não havia finalidade naquilo.
Parei de beijá-la e ela percebeu que ia acontecer. Eu iria terminar.
Ela me encarou com aqueles grandes olhos pidões.
- O que foi? – ela perguntou.
Pensei nela em um futuro próximo. De barba mal feita, roupas rasgadas e indiferença com a vida. Exatamente como a mim. E senti pena.
- Nada. – eu respondi.
E voltamos a nos beijar.



Mande um beijo pra gente: @NewronioESPM


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