Categoria: Newronio

E a Barba finalmente visitará o Leão

POSTRENAN

Renan Quevedo é aluno da ESPM, está no sétimo semestre, cursa a optativa de criação e ganhou o concurso para ir ao Festival de Cannes, representando a faculdade. Já passou pela Agência Arenas, Tesla e, atualmente, trabalha na WMcCann. O Newronio conversou com ele para saber como estão os preparativos e as expectativas para a viagem que o levará à maior premiação de publicidade do mundo.

Como foi o processo criativo do seu projeto e o que te inspirou?

O processo criativo do meu projeto tinha que responder “Por que você é o cara?”. Eu não gosto de perguntas tão pessoais como essa, mas era a terceira vez que estava participando do concurso e já tinha me acostumado com o apelo. Resolvi continuar com a proposta do ano passado e fiz uma espécie de evolução para a história do bigode. Apostei nela e a faculdade também.

Você já tinha participado né? O que te estimulou a participar de novo?

Quis participar de novo porque, para os aspirantes a publicitários como eu, o Festival de Cannes é o lugar onde precisamos estar. Imagino uma experiência enriquecedora em todos os aspectos. Sei que participarei de palestras, julgamentos, premiações e o famoso curso de criatividade da Roger Hatchuel Academy. E por isso mal posso esperar. Essa soma de coisas incríveis me motivou a participar do concurso da ESPM pela terceira vez. Batia na trave, mas tinha que acreditar que uma hora as coisas aconteceriam, não é?

Quais as suas expectativas? Como você imagina ser o Festival de Cannes?

Minhas expectativas são as melhores possíveis e sei que não vou me frustrar. Os alunos que já participaram voltam de lá contando histórias incríveis. Também quero vivenciar isso! Prometo uma super cobertura do evento, com notícias em primeira mão dos maiores premiados por lá, combinado?


Estudante da ESPM e aspirante a publicitária e comunicóloga. Adora escrever qualquer coisa que não seja sobre ela mesma.


Play It Again Tula!

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Conversamos com o dinossauro da produção sonora publicitária e dono da produtora Play It Again, Tula Minassian, confira boa parte da conversa:

Necessidade de marcas sonoras

As marcas estão buscando se diferenciar da concorrência, afinal a imagem esta cada vez mais não suficiente, ou seja, a marca sonora se torna uma ferramenta agregada para diferenciação.

 Como funciona o briefing de marcas sonoras

A princípio, na maior parte das vezes, ainda mais alguns anos atrás, a sugestão de uma marca sonora sempre esteve ligada aos produtores de som, e não partindo do cliente, sendo este um trabalho corriqueiro dos produtores, e em alguns casos surgia alguma marca ou assinatura sonora nos comerciais, portanto foi espontaneamente se criando. A partir disso, o mercado foi percebendo que as vezes não era preciso falar nada para ser lembrado, apenas um som, e isso não tem valor mensurável, mas com certeza é enorme.

Ou seja, não passa pelo atendimento ou pela criação da agência, pois não é um pedido possível de se objetivar num papel ou documento – eu quero uma marca sonora tal e vamos caminhar para isso.

Hoje em dia, esta ideia esta partindo cada vez mais dos anunciantes, que estão demandando isso das agências, no entanto, na agência a criação resiste bastante, pois eles não tem muita participação na criação deste tipo de material. A partir disso, esta acontecendo algo muito perigoso no mercado, alguns produtores estão oferecendo o serviço de marcas sonoras, jingles ou trilhas, como projetos prontos em power points, ou seja, oferecendo projetos prontos para um serviço sensorial e espontâneo, e no final não entregando o que havia sido prometido no papel, manchando a imagem deste tipo de serviço

 Processo Criativo

No caso, acontece dentro do estúdio. Depois de produzir marcas como Havaianas, Vivo e Ypê, posso dizer que é uma virtude minha, sempre apoiei minha visão de som em algo que se associasse com o cliente, e este é um processo sensitivo. Por exemplo, a Sadia foi o único cliente que efetivamente procurou a Play desde o início, atrás de um tema musical que acompanhasse todos os filmes da marca e que tivesse uma assinatura musical concluindo isso, ou seja, esse pedido foi feito direto do cliente para a DPZ, e a agência teve a isenção de transferir essa responsabilidade para nós da Play, no caso a agência podia ter resistido e contornado, mas eles tiveram a visão de jogar junto e 10 anos depois ainda está entre nós e a Sadia virou um case.

Portanto, num caso como esse, a gente procura ouvir o cliente, sentir a necessidade e identificar o target, sendo assim, cada música tem um arranjo e um direcionamento que busque esse target.

No caso de marcas sonoras, isso se complica ainda mais pois é um processo totalmente “de orelha”, totalmente sensitivo, e saber se vai ou não funcionar.

Aprovação

A aprovação consiste basicamente tocar a marca sonora para os clientes, e se possível, apenas para eles ou para o menor número de pessoas possível. Por se tratar de um produto de um processo sensitivo, quanto mais opiniões envolvidas, menos objetivo fica o processo.

Equipe

Cada job é um job, cada produtor é um produtor, pra cada roteiro/pedido nós selecionamos os que mais se adequam.

No caso das marcas sonoras, é plausível passar o briefing separadamente para 5 produtores diferentes e cada um busca seu caminho, aumentando a qualidade criativa e a diferenciação nas ideias. Nesse tipo de trabalho, vale mais a criatividade do que o conhecimento musical.

Também existe o caso de buscarmos virtudes individuais, como foi o caso de procurarmos  o André Abujanra para o job da Ypê, pois sabia-se da linha criativa diferenciada dele e que ele podia caminhar por uma linha de raciocínio diferenciada.

A base para selecionarmos músicos, produtores ou maestros, é sempre a adequação.

Núcleo de pesquisa

Foi formado para antecipar o erro, porque o tempo de produção é muito curto, no geral os trabalhos do dia a dia tem prazo de 4 a 6 horas.

Sendo assim, o roteiro chega e vai paralelamente para o núcleo, lá eles já separam um setup de referencias, ou seja, trabalham em paralelo com o atendimento, para economizar tempo e otimizar o processo

Com esse curto tempo de produção, perde-se qualidade criativa e aumenta a taxa de plágio, com o processo andando paralelamente, é possível buscar mais referências e mais “profundas”, evitando plagio e aumentando a qualidade criativa.

Foto por Alê Oliveira.

Mais informações sobre a Play It Again!

 


Estudante de publicidade, música, fotografia e das coisas boas e ruins da vida.


Desafio de Planejamento

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O Newronio acompanhou os três dias – 8, 10 e 12 de abril – da primeira edição do Desafio de Planejamento. O evento contou com a participação da Diretora de Marketing da Kibon, Cecília Dias, levando o briefing real da marca para os participantes.

No primeiro dia, o briefing foi passado pessoalmente pela “cliente”, possibilitando o contato direto com os grupos. O desafio era fazer um estudo da marca, pesquisar hábitos de consumo, analisar mercado e concorrentes, além de avaliar o uso de celebridades em campanhas publicitárias.

Com o Briefing em mãos, os participantes, agora, tinham que montar suas apresentações e comparecer para apresentá-la a uma banca, que iria avaliá-los e selecionar os dez melhores para avançarem para a próxima fase.

Finalmente, no último dia, os grupos selecionados deveriam recomendar duas ações de comunicação, em plataformas diferentes, para o uso do jogador Neymar associado a um produto específico ou à marca Kibon.

Os vencedores foram:

1˚Lugar: Helena Freitas e Giulia Galizia Queiroz

2˚Lugar: Guilherme Cordeiro Pimenta e Túlio de Castro Carreira

3˚Lugar (empatados): Gabriel Longhini Barbério e Luis Augusto Costa Michelazzo
Vinícius Keji Nikaido e Miriã Rosa da Paixão

Parabéns aos vitoriosos!


Estudante da ESPM e aspirante a publicitária e comunicóloga. Adora escrever qualquer coisa que não seja sobre ela mesma.


O Atendimento por Maria Pestana

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O Newronio esteve na DPZ entrevistando Maria Pestana, diretora de atendimento da agência. Simpática e muito receptiva, nossa entrevistada respondeu questões que envolvem a área profissional, a própria agência, o Grupo de Atendimento e a Bombril – que, recentemente, escolheu a DPZ para concentrar toda sua linha de produtos.

Você já está na DPZ há muitos anos. O que você acredita ser um diferencial importante para um profissional de atendimento?

Você tem que conhecer bem o cliente, o cliente não só como pessoa, o cliente, o negócio, a empresa, isso é o essencial. Porque você tem que ser o porta voz daquela empresa onde quer que você vá falar sobre eles. E como você vai atendê-los bem se você não conhece o negócio? E como é que você vai explicar para dentro da agência o que que eles tem que fazer se você não entender bem do negócio? Então, a regra número um para ser um bom atendimento é conhecer o cliente, não só o ser, como o negócio e a empresa.

Para você, qual é o maior ponto positivo em atuar nessa área?

O maior ponto positivo? Eu adoro o que eu faço. O ponto positivo é que você conhece gente o tempo todo, você conhece empresas diferentes, pessoas diferentes, cada cliente tem uma história, cada empresa tem a sua história que depois vai andando com a vida. É muito rico, você nunca está no mesmo. O atendimento é uma profissão que você nunca está ali sentada fazendo a mesma coisa do mesmo jeito, as pessoas mudam, os negócios mudam, os produtos são outros, uns são serviços, uns são de consumo. É dinâmico. Você nunca acorda e faz a mesma coisa. Não tem rotina nenhuma

Quando você abre uma vaga para um estágio ou profissional trabalhar na sua equipe, o que faz a diferença entre um candidato e outro na hora da entrevista?

Na hora da entrevista, para mim, faz muita diferença como a pessoa se expressa, porque assim, a primeira entrevista é muito ruim né?: Você chega lá, o que você fez? Nunca fiz nada, a pessoa nunca fez nada, não tem currículo ainda. Faz muita diferença a postura da pessoa. Na minha área é muito a atitude da pessoa, é ver se ela tem pró-atividade de levantar para fazer as coisas, não ficar sempre sentada atrás de um computador esperando e respondendo. Mas, em especial, como a pessoal se expressa corporalmente e a sua maneira de ser. Para atendimento é muito importante isso.

O Grupo de Atendimento, finalmente, saiu do papel depois de um bom tempo. Na sua opinião, o Grupo contribuirá no combate à imagem de “faz-tudo” do Atendimento?

Com certeza. Realmente, a gente tem que se juntar um pouquinho mais, trocar figurinhas. Saiu do papel sim, eles estão montando o primeiro curso, que já é para quem trabalha, não é para universitário, é um curso já mais avançado. Eu acho que vai mudar. E o faz-tudo para mim é um elogio, eu adoro ser um faz-tudo. As pessoas, as vezes, se ofendem com essas coisas. O fazer-tudo quer dizer que você é uma pessoa ampla, que você consegue fazer um monte de coisa. Eu não tenho problema nenhum em ser o faz-tudo, para mim é um elogio, não uma crítica.

Quais os principais objetivos dele?

Juntar os profissionais do mercado e capacitar mais os que estão chegando. O atendimento ele tem que liderar uma série de processos. O liderar não é fácil, porque você tem que fazer que a criação te respeite, tem que fazer que o cliente te respeite, todo mundo no fundo tem que escutar o que você fala e te respeitar e se você não faz isso com liderança, isso não vem gratuito.

Existe alguma frente de trabalho, alguma proposta do Grupo, para alunos de publicidade interessados na área?

Sim, inclusive estão se falando com algumas faculdades como é que a gente cria núcleos para a discussão disso. Porque algumas faculdades estão super avançadas nisso e tem faculdades que você vai ver a matéria em si sobre o tema e é lamentável. Mas, a primeira etapa é começar a capacitar mais a mão-de-obra. Dá mais um pouco de pulso para esse pessoal.

O que mudou com a associação ao grupo Publicis? Até onde vai a autonomia da DPZ agora?

Por enquanto ainda não mudou muita coisa, o que mudou foi toda parte administrativa, mas no contrato que eles fizeram o D, o P e o Z permanecem até o final de 2013.

Por que escolher a DPZ? Qual o diferencial?

Construção de marcas. Constrói marcas como ninguém. Itaú, Sadia, pode escolher, marcas que vem assim na sua cabeça. É muito consistente o trabalho de construção de marca. A DPZ, inclusive, ela tem um formato de ter clientes há muitos anos na casa por isso, por a sua consistência no trabalho.

Qual será a principal mudança na forma de comunicar Bombril? Por que mudar? Carlos Moreno continua?

O Carlos Moreno vai continuar sim, o Carlos Moreno é a figura institucional da Bombril. Então, provavelmente, ele continuará fazendo coisas aqui para a gente, tudo que é institucional, tem um evento, sempre será ele o apresentador. Ele será eterno e tudo mais. O que mudou: lã de aço é um produto que quase mais ninguém usa, é um produto super antiquado e a marca não pode ficar em cima de um produto que é uma lã de aço, que a sua geração nem vai pegar. Não faz sentido uma marca estar apoiada num produto desse. A Bombril investiu em um monte de produtos novos, inovou toda sua linha e faz sentido ela migrar para esses produtos que tem mais performance, porque, realmente, ficar em cima de um produto velho a marca iria envelhecer. Por isso que foi mudada a campanha para as mulheres que evoluíram com a Bombril.

Maria Pestana te indica:

Livro: O Heroi fora da lei

Filme: Os Intocáveis


Estudante da ESPM e aspirante a publicitária e comunicóloga. Adora escrever qualquer coisa que não seja sobre ela mesma.


Ela e eu

#Contos por Ian Perlungieri



Inspira. Pausa. Expira. Pausa. Inspira. Pausa. Expira.

Ela, vestida de cetim, me procurava.

Eu, vestido de medo, me escondia.

Inspira. Pausa. Expira. Pausa. Inspira. Pausa. Expira.

Ela observava ao redor, em busca de mim.

Eu observava ao redor, em busca de fuga.

Inspira. Pausa. Expira. Pausa. Inspira. Pausa. Expira.

Ela me encontra.

Eu encontro a porta.

Inspira. Expira. Inspira. Expira.

Ela corre.

Eu corro.

Inspira. Expira. Inspira. Expira.

Ela veloz.

Eu em câmera a lenta.

Inspira. Expira. Pausa.



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Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Quem achava que o Porter tinha morrido? – ExpoManagement

#Tárolando por Tata Gabana



Terminou na última quarta-feira, com duração de três dias, a feira HSM ExpoManagement, que reuniu empresas, universidades, estandes da Brasil Design Week além de renomados palestrantes nacionais e internacionais, incluindo o grande Porter (nosso pesadelo do terceiro semestre de administração e comunicação).

A entrada era franca, mas por um dia de palestra era necessário pagar R$2.400,00 para ouvir os “gurus do management”, com tradução simultânea. Além de Michael Porter, consagrado professor da Harvard Business School e maior autoridade mundial em estratégia competitiva, outros 18 palestrantes, com diplomas incluindo MIT, Princeton, Ph.Ds e tantas outras conquistas, abordaram questões do management atual. Além do auditório principal, haviam outros 15 patrocinados que ofereciam palestras gratuitamente. Um deles patrocinado pela ESPM, onde tive a honra de assistir a uma palestra do Garcia, diretor de graduação da ESPM, falando sobre o profissional de comunicação do futuro.

Participar da feira é uma oportunidade e tanto pra quem quer abrir uma empresa, fazer reciclagem de conceitos, reposicionar os negócios, encontrar fornecedores, encontrar um emprego. Perfeito para estudantes de administração, relações internacionais, design, publicidade, engenharia, Rh e também para os curiosos que querem aumentar o conhecimento e repertório.

Se você ainda está na duvida se quer visitar a HSM ExpoManagement no ano que vem, a feira também conta com lanchinhos da tarde e coquetel de fechamento todas as noites.



Quer saber o que rola no mundo dos negócios? Curta o @NewronioESPM


Curso Comunicação Social. Amo música, moda, fotografia, desenhar, cozinhar, inventar moda e fazer arte.


Ambição em uma comunidade do futuro

#Contos por Ian Perlungieri



Eu sorria e o velho chorava.

Enquanto eu conversava alegre e idiota pelo telefone com aquela garota, o velho chorava ao meu lado. Lágrimas escorriam do seu rosto enrugado e rugas se formavam em meu rosto sorridente.

Além de nós também havia outras pessoas naquele espaço apertado do transporte público. Pessoas cinzentas, conversas altas, um menino que tentava, atrapalhadamente, tocar um violino, uma grávida, dois cachorros e mais pessoas cinzentas.

O artista, a grávida e os animais corriam um grande risco por estarem ali. Todos nós sabíamos que não era permitido, porém ignorávamos. Dificilmente os militares apareceriam. O artista tocava, a grávida conversava, os cachorros latiam, o velho chorava e eu sorria.

Depois da longa conversa, desliguei o celular e o coloquei, com grande dificuldade devido ao grande número de pessoas que me apertavam, em meu bolso.

Observei o transporte novamente: o artista ajeitara o seu violino e tocava alguma música clássica, a grávida dormira, os cachorros deitaram mal acomodados naquele piso porco e o velho, em pé ao meu lado, também dormia.

Ignorei-os novamente. A monotonia deles não abalaria a minha felicidade. Havia acabado de falar com uma mulher linda e, logo, ela seria a minha esposa. Ela só precisaria aceitar o pedido e eu só precisaria comprar o anel.

Entretanto, para comprar o anel, todo aquele caos deveria ser vivenciado. Novas taxas teriam que ser pagas e eu seria o novo último da fila de espera, com um casamento marcado para daqui a 30, 35 anos.

Não poderia esperar tanto tempo. Sim, apelarei para o mercado negro: com a venda do meu celular, conseguiria um anel. Vagabundo, porém um anel. Apalpei o meu bolso com dificuldade para certificar-me que o celular permanecia lá, porém havia apenas o vazio.

Desesperei-me, mas, ao apalpar, involuntariamente, a calça do velho que dormia em pé, percebi que havia colocado o meu celular em seu bolso por engano.

Seria estranho se eu o acordasse para pedi-lo de volta. O velho poderia acusar-me de roubo dizendo que o meu celular era dele e Deus sabe lá o que os militares fariam comigo. Não. Eu o coloquei lá, eu o tiraria de lá.

A massa cinzenta conversava ou dormia e ninguém notaria a minha mão boba entrando no bolso do velho que dormia em pé ao meu lado.

Apalpei o bolso daquela calça surrada e puxei o que acreditei ser o meu celular. Não era. Era ouro. Ouro. Ouro.

Comecei a colocá-lo em meu bolso com um êxtase indescritível. Melhor do que eu sentia com a garota, com o doce, com a luxúria. Nunca havia experimentado algo do tipo.

Esqueci o meu celular. Do bolso só saía ouro e mais ouro. Conseguiria comprar o mercado negro inteiro. Compraria aquilo que a garota sonhava. Compraria aquilo que eu sonhava.

Meu bolso estava carregado de ouro. Estava sendo um dia perfeito.

Porém, de repente, o transporte parou e os militares entraram:

- Mão na cabeça! Todo mundo, todo mundo!

Os cachorros correram, porém um caiu morto devido ao tiro dado pelo militar. O outro escapou. Maldito sortudo!

O violino do artista foi queimado enquanto outros dois mais jovens chutavam a grávida.

- Estamos procurando uma grande quantia de ouro que foi furtada do deputado. – falou aquele que parecia o capitão – Quem aqui tiver algum objeto feito desse material nos acompanhará para a execução.

Olhei para o velho. Ele, assustado, apalpou os bolsos da calça e, curioso, de lá tirou o meu celular.

- Mão na cabeça! Mão na cabeça! Tira mais alguma coisa do bolso que você morre! – gritou um militar para o velho.

O velho larga o celular, que cai no chão e quebra. Ele olhou para mim e soube. Ele sorriu e eu chorei.



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Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Plágio

#Contos por Ian Perlungieri



Apenas consegui adormecer depois de onze dias vendo o brilho das estrelas se misturando com a densa fumaça do meu cachimbo.

Porém não foram apenas duas horas de descanso como da última vez, e sim, um descanso de quinze horas.

Quinze horas.

Quinze horas de um descanso que invejo que os outros consigam todos os dias. Quinze horas utópicas. Quinze.

Após acordar eu soube, baseado no tempo que eu havia dormido, que não adormeceria tão cedo novamente. Mas não importava. Eu havia sonhado.

E, com os sonhos, vieram as ideias.

Um quadro. Um belo quadro. Seriam três retratos em uma tela na horizontal. No primeiro retrato havia dois macacos, um cego e um surdo com uma paisagem caótica que lembrava a vida real. No segundo havia dois macacos, um cego e um mudo com a mesma paisagem de fim de mundo. E, no terceiro, dois macacos. Um surdo e um mudo. Porém a paisagem seria bela o bastante para despertar a inveja em Deus.

Lindo! Extremamente metafórico! Todos o adorariam. Todos adorariam a mim.

Havia apenas um problema. Eu não pintava.

Meu quadro nunca se tornaria real e eu nunca seria adorado.

Não sabia o que fazer. Desabafei esse dilema para um amigo meu enquanto degustávamos a fumaça do cachimbo misturado com alguma bebida vagabunda.

Entretanto, ele era pintor. Meu quadro tornou-se dele e, no momento seguinte, ele não era mais o meu amigo.

Raiva. Fúria. Ira. Mais algumas noites sem dormir.

O brilhar das estrelas se misturando com a fumaça do cachimbo e com o gosto amargo da bebida vagabunda e, somente após treze dias, encontrei mais quinze horas de descanso.

Segunda vez que havia conseguido quinze horas. Quinze. O descanso havia me agradado o bastante para surgirem novos sonhos e ideias.

Após acordar soube novamente que meu novo descanso demoraria, mas ignorei a sensação. Ideias surgiram.

Uma fotografia. Brilhante! A imagem sarcástica de uma língua lambendo o chão. Forte. Impactante. Perturbadora. Todos a adorariam. Todos adorariam a mim.

Mas novamente havia um problema. Eu não possuía uma câmera. Pedi para que um amigo me emprestasse a dele. “Por quê?”, ele perguntou. E eu respondi.

Noites e mais um amigo foram perdidos e a raiva reapareceu.

Raiva. Fúria. Ira. Ódio.

O brilhar das estrelas se misturando com a fumaça do cachimbo que se misturava com o gosto amargo da bebida vagabunda que se misturava com minha boca seca, olhos ardentes e mau cheiro.

Mas adormeci. Não sei quanto tempo fiquei acordado até ter conseguido dormir. Não sei quanto tempo dormi dessa vez. Talvez quinze horas. Talvez mais.

Porém, desta vez, acordei sorridente, pois havia tido a melhor de todas as ideias.

Um conto. Finalmente eu serei adorado.



Siga e fale para quinze pessoas. Quinze: seguir o @NewronioESPM.


Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Tic Tac Tic

#Contos por Ian Perlungieri



A população assistia.

O idoso de 112 anos duelava com o relógio.

Apesar da idade, o idoso era o gatilho mais rápido do mundo. Ninguém o desafiava.

Porém ele o desafiou! O relógio!

Ambos iriam sacar suas armas. Um irá morrer, o outro, sobreviver.

A população torcia pelo idoso. Momento de tensão.

Apesar da esperança e da torcida, foi o corpo do idoso que caiu no chão devido aos dois tiros dados pelo relógio.

O idoso não esperava. A população não esperava. Ninguém esperava.

O relógio era bem mais rápido do que eles imaginavam.






Não perca o seu tempo! Siga o @NewronioESPM!


Meu nome não é Alex DeLarge, nem Tyler Durden, nem Mort Rainey. Nunca me chamaram de John Keating. Não sou Ed Bloom, nem Joel Barish. Scott Pilgrim, Carl Allen, Bruce Wayne, Rainer Wenger. Nenhum destes é meu nome. Sou apenas uma peça de um tabuleiro.


Grandes mentes da semana + briefing: Seu João

#Grandesmentesdasemana por Henrique Castilho

 

 

Nossa grande mente da semana entendeu o perfil mais requisitado das empresas: jovens de 17 a 25 anos, classe A, proativos e formadores de opinião. Ele criou um produto top of mind na sua categoria dentro da faculdade. Sua empresa sobrevive a dezenas de gerações de formandos. Tudo isso sem precisar de grandes estratégias de ataque – apenas tendo produtos bons, com preço justo e atendimento impecável.

 

 

 

Seu João apareceu em uma terça-feira na sua cantina só para falar com o Newronio. Ele teve que se afastar do trabalho porque há pouco tempo bateu a cabeça e agora descansa em casa. Mas antes disso, ralava na cantina: “Eu que fazia o transporte dos produtos, ainda chegava aqui e ficava atendendo no caixa o resto do dia”. Tudo isso sem se estressar nem perder o carisma – a cantina leva o nome de “Fala Bello!” porque era assim que o Seu João chamava os clientes, que passaram a chamá-lo da mesma forma.

Hoje cuida da parte administrativa. O caixa ficou para o Marcão e o homônimo João, ambos filhos seus. “E os netos, Seu João? Vão continuar tocando a cantina?”. “Não, não… Os netos estão jogando bola. Um já está nos Estados Unidos, quero mesmo é que faça sucesso por lá”. É, o futuro da cantina é incerto. Mas se depender do Seu João (e da coxinha), nossos netos ainda vão passar na Fala Bello, pegar um pão de queijo e uma Coca-Zero.

 

 

 

O Newronio, junto com a Cantina Fala Bello, está lançando um concurso. O desafio é produzir um cartaz comunicando a tradicional coxinha do Seu João, para comunicá-la aos novos alunos e fixar os atuais consumidores. O briefing escrito, desenvolvido pelo atendimento/planejamento do ARENAS, pode ser baixado aqui.

 

Você também pode ver o vídeo-briefing com o próprio Seu João que está no começo do post e no nosso canal do youtube. Aceitaremos peças enviadas até dia 19 de Outubro.

 

 

Participe do concurso e siga a gente no twitter @NewronioESPM

 


Henrique passa as manhãs dos dias de semana na ESPM, as tardes dos fim de semana tocando música e as noites de terça vendo a Portuguesa no Canindé.