por henriquecm em quinta-feira, 1 de novembro de 2012
#TárolandoESPM por Henrique Castilho
Quando foi a última vez que você apresentou uma banda pra alguém? Ou colocou um vídeo bacana no mural do facebook? Ou quis ligar pro amigo pra contar a teoria incrível que pensou enquanto tomava banho? A gente tem essa vontade esquisita de compartilhar com os outros as coisas que achamos incríveis, como se o que a gente tivesse vendo fosse tão bacana que não coubesse só na gente. E agora, graças a um projeto desenvolvido por alunos da ESPM para a disciplina de Comunicação com Público de Interesses, a gente tem onde fazer isso.
Na página do “O mundo precisa saber que” é postado de tudo. “Coisas simples, desde ‘o mundo precisa saber que raspar o potinho do requeijao é muito irritante’ até ‘o mundo precisa saber que a felicidade está na nossa frente, só temos que procurar direitinho’” (Rebeca Youssef, uma das criadoras). Os próprios criadores da página a alimentam diariamente. O conteúdo também é alimentado ainda pelas pessoas que curtem a página. Dando uma passeada pela página descobri um graffiti que absorve a poluição do ar, uma garotinha questionadora do sexismo e que meus problemas não são tão graves assim.
por henriquecm em segunda-feira, 22 de outubro de 2012
#ARENAS por Henrique Castilho
Sabe qual é a diferença de quando uma produtora realiza um evento e de quando alunos realizam um evento? A produtora não fica comemorando a cada nova inscrição como se o evento fosse dela. Os envolvidos da produtora não fazem questão de ajudar uns aos outros, nem ficam postando no grupo do facebook da produtora tudo que estão fazendo, porque os outros integrantes da produtora não estão nem aí. Já os alunos criam as peças e depois produzem com as próprias mãos, depois ficam puros de verdade quando um pessoal arranca uns patinhos do banheiro ou uns post-its do elevador. Os alunos ficam até depois do expediente pra revestir uma quadra de futebol com 900 metros de plástico bolha. Os alunos tem umas ideias malucas, mesmo. Mas não têm medo de errar porque fazem de coração.
“Na Maratona sempre sai peça bacana pra pasta”. “Se ganhar, tem estágio na Africa”. “Queria ver como é trabalhar com criação”. “Eu vim pelas horas ACOM”. Teve gente de todo tipo na Maratona. Teve muita gente na Maratona. E, para isso acontecer, precisou ter muita gente por trás também. E foi gente muito boa. O resultado? Recorde de inscrições: 123 equipes, 330 pessoas no total. Parabéns ao ARENAS pelo sucesso que foi a 6° Maratona de Criação ESPM.
*Campanha de três cartazes para divulgação do evento – Renan Quevedo, André Atássio, Diego Tito, Fernando Simões
*Cartaz para divulgação da agência madrinha – Renan Quevedo, André Atássio
* Logo – Pedro Sattin
*Seis layouts para as abas do site – Renan Quevedo
*Textos do site – Gabriel Duarte
*Produção do site – Jefferson Ortega
*Alimentação de conteúdo do blog – Luisa Fleury
*Duas caixas de brinquedo gigantes – Pedro Sattin, Fernando Simões, Fernando Bartolo, Rafael Gonçalves, Felipe Bedran,
*Ação do patinho de borracha – Pedro Sattin, Fernando Simões, Renan Quevedo, Gustavo Paro, Rafael Melo, Gabriel Duarte
*Doação de brinquedos – Renan Quevedo, Laura Nagem, ESPM Social
*Ação dos post-its nos elevadores – Fernando Simões, Bruno Kadesh, Rafael Gonçalves, Fernando Bartolo
*Ação do plástico bolha na quadra – Bruno Kadesh, Pedro Sattin, Rafael Gonçalves, Fernanda Malavazi, Gabriela Zimberg, Luisa Fleury, Gustavo Paro, Allan Chung, Stela Sotrati, Bel Lopes, Raul Donadeli, Camila Shoji, Camila Hirata, Renan Quevedo, Ana Nunes, Victor Kenji, Thays Said, Rafael Melo, Lucas Passeti
*Flyers – Thays Said, Rafel Melo, Rafael Gonçalves, Pedro Sattin, Fernanda Malavazi, Renan Quevedo, Stela Sotrati, Bruno Kadesh, Lucas Passeti, Gabriel Duarte, André Atássio
*Ação do tubarão voador – Renata Alcalde, Renan Quevedo, Fernando Simões, Max Admoni
*Parceria com Africa, Nestlê, Hasbro, Ambev (todos os produtos oferecidos) – Planners: Camila Hirta, Lucas Passeti, Thays Said, Rafael Gonçalves, Fernanda Malavazi, Felipe Bedran
Orientadores: Renata Alcalde, Cristina Leão, Felipe Bedran, Tiago Carvalho, Eduardo Manente, Diego Tito, Celi Moreira.
Siga o @NewronioESPM e saiba quando vai ser o próximo processo seletivo do ARENAS.
por henriquecm em segunda-feira, 15 de outubro de 2012
#TárolandoESPM por Henrique Castilho
Já falamos, aqui no Newronio, do grupo de política da ESPM. A ação deu tão certo que o grupo acabou tomando proporções que vão além dos debates políticos prometidos em sua descrição. Seu criador, Henrique Calandra, reconheceu a proatividade dos participantes e agora tenta materializar ideias que excedem o próprio grupo (que, inclusive, já é reconhecido pela faculdade e terá uma sala fixa em 2013, além de constantes palestras, uma possível viagem à Brasília e, claro, horas ACOM).
Um dos projetos que ainda está tomando forma em uma postagem do grupo no facebook é uma parceria com a Cinemateca, que fica a aproximadamente cinco quadras da faculdade e tem, além de um espaço bacana para reuniões em grupo (e que falta na ESPM, vide as reclamações por falta de salas de estudos), várias palestras, cursos, cinema ao ar livre e o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. A parceria permitirá uma maior divulgação dos programas da Cinemateca na ESPM e também que alunos da faculdade não enfrentem a burocracia necessária para esses serviços (da Cinemateca).
Alguns alunos se reunem em um grupo de Facebook e conseguem ser reconhecidos pela faculdade. Isso prova que eles também conseguem materializar outros projetos bacanas externos à faculdade (esse do micro-ônibus é grande mas tem tudo pra dar certo). Dê uma passada por lá, divulgue suas ideias e ajude a concretizar aquelas em que você acredita. Ainda vamos falar muito desse grupo aqui no Newronio.
O que você acha dessa parceria? Comente aqui embaixo ou lá no nosso twitter @NewronioESPM
por henriquecm em segunda-feira, 8 de outubro de 2012
#Internet por Henrique Castilho
As campanhas do Peta são absurdas. Cabe a quem quiser julgar se isso é bom ou ruim, mas ninguém discordará de que são absurdas. Haverá aqueles que as defenderão dizendo que o mundo precisa se chocar para mudar sua mentalidade – e esses apoiam as campanhas. Também haverá os que consideram idiota qualquer tipo de extremismo (o que não deixa de ser um pensamento extremo). Por último, haverá aqueles de extremo centro que, com receio de falar besteira e sem o intuito de começar uma discussão, não vão querer qualificar um assunto tão polêmico. Vou tomar este partido ao contar da última campanha do Peta, que vem criando paródias de jogos que, segundo eles, passam ensinamentos errados às crianças que os jogam. Veja a introdução do Peta’s Pokemon:
Esse Pokémon que decidiu se revoltar é o Pikachu. Bem sacado, já que é o único Pokémon que não quer ficar dentro da Pokebola. Esse tipo de coincidência chegou até a me fazer considerar que os criadores do Pokémon realmente queriam passar uma mensagem com o desenho. Descobri, inclusive, que já existem bastantes teorias sobre Pokémon. Ninguém nunca saberá se é verdade, a menos que pergunte aos criadores. E estes que perguntarem ainda estarão sujeitos a ouvir mentiras – assim é o ser humano, vive mentindo e abusando de Pokémons.
Para quem não sabe, Peta é uma abreviação para People for the Ethical Treatmente of Animals. Eles ficaram mais famosos quando começaram a jogar tinta vermelha em celebridades que estavam usando casacos de pele. Também já fizeram outras campanhas chocantes, que podem ser vistas no site. Separei esta aqui pra quem tiver com preguiça de procurar ou para aqueles que não estiverem lendo, só vendo as imagens.
Mesmo que você não goste de jogos ou de Pokémons (tudo bem, só não pode maltratá-los), passe um tempinho jogando. Se reclamarem, avise que é para fins educativos.
Para jogar, clique na imagem abaixo:
Você concorda com o Peta? Comente aqui embaixo ou no nosso twitter @NewronioESPM.
Obs: O “Team Plasma” que aparece na placa do Pikachu na imagem destacada é uma equipe que apareceu no desenho nas últimas temporadas e que é a favor do direito dos Pokémons. O esquisito é que eles aparecem na animação como vilões.
por henriquecm em terça-feira, 2 de outubro de 2012
#Grandesmentesdasemana por Henrique Castilho
Nossa grande mente da semana entendeu o perfil mais requisitado das empresas: jovens de 17 a 25 anos, classe A, proativos e formadores de opinião. Ele criou um produto top of mind na sua categoria dentro da faculdade. Sua empresa sobrevive a dezenas de gerações de formandos. Tudo isso sem precisar de grandes estratégias de ataque – apenas tendo produtos bons, com preço justo e atendimento impecável.
Seu João apareceu em uma terça-feira na sua cantina só para falar com o Newronio. Ele teve que se afastar do trabalho porque há pouco tempo bateu a cabeça e agora descansa em casa. Mas antes disso, ralava na cantina: “Eu que fazia o transporte dos produtos, ainda chegava aqui e ficava atendendo no caixa o resto do dia”. Tudo isso sem se estressar nem perder o carisma – a cantina leva o nome de “Fala Bello!” porque era assim que o Seu João chamava os clientes, que passaram a chamá-lo da mesma forma.
Hoje cuida da parte administrativa. O caixa ficou para o Marcão e o homônimo João, ambos filhos seus. “E os netos, Seu João? Vão continuar tocando a cantina?”. “Não, não… Os netos estão jogando bola. Um já está nos Estados Unidos, quero mesmo é que faça sucesso por lá”. É, o futuro da cantina é incerto. Mas se depender do Seu João (e da coxinha), nossos netos ainda vão passar na Fala Bello, pegar um pão de queijo e uma Coca-Zero.
O Newronio, junto com a Cantina Fala Bello, está lançando um concurso. O desafio é produzir um cartaz comunicando a tradicional coxinha do Seu João, para comunicá-la aos novos alunos e fixar os atuais consumidores. O briefing escrito, desenvolvido pelo atendimento/planejamento do ARENAS, pode ser baixado aqui.
Você também pode ver o vídeo-briefing com o próprio Seu João que está no começo do post e no nosso canal do youtube. Aceitaremos peças enviadas até dia 19 de Outubro.
Participe do concurso e siga a gente no twitter @NewronioESPM
por henriquecm em segunda-feira, 24 de setembro de 2012
#Internet por Henrique Castilho
A LAB42 fez um infográfico muito bacana sobre fan pages de marcas no Facebook. A pesquisa recolheu muitos dados curiosos, mas o que achei mais relevante é: 50% dos consumidores acham fan pages mais úteis do que sites. É difícil cruzar este dado com outras estatísticas mas, supondo que dentre esses consumidores estão nossos pais e avós (e eles não têm facebook), provavelmente esse número aumentaria ainda mais se considerássemos na pesquisa apenas as pessoas que possuem conta na rede. Ou, em uma segunda hipótese, a pesquisa já tenha feito isso, e tudo que estou falando é besteira. Desconsidere, portanto.
Embora os dados animem os profissionais das mídias sociais, ainda é muito cedo para imaginar que as fan pages substituirão os sites. Segundo o professor Tiago Carvalho, o site de uma empresa é seu “cartão de visita” virtual. É ele que venderá o conceito da marca. O Facebook ainda é muito limitado para suprir essa função, além disso, esse não é seu objetivo. O maior benefício de uma fan page para a marca é ganhar audiência. As suas outras funções (promoções, e-commerce…) são substituíveis pelos sites. Perguntei a ele se o facebook permite a marca um conhecimento maior de seu consumidor. Segundo ele, as tabulações do facebook e as do Google Analytics têm objetivos diferentes. O painel administrativo do facebook retrata o perfil dos seus seguidores (que não nescessariamente são seus consumidores), ele nunca serviria como uma pesquisa de mercado, por exemplo.
Descobri também que 24% das pessoas curtem uma página só para ajudar um amigo. Infelizmente, meus amigos ainda não aprenderam a usar o facebook; mas vocês podem ajudar o Newronio mandando o link da nossa página para seus amigos. Afinal, 69% das pessoas curtem uma marca só porque algum amigo curtiu antes.
100% das pessoas que leram esse post foram correndo seguir a gente no twitter @NewronioESPM.
por henriquecm em segunda-feira, 17 de setembro de 2012
#Publicidade por Henrique Castilho
Miojo pode ser ingrediente para grandes chefs também. Foi isso que a Nissin Ourfali Miojo quis mostrar no seu novo livro “Meu Miojo – Receitas & Histórias”, desenvolvido pela F/Nazca. O livro é em formato moleskine para passar a imagem de caseiro. Porém, os autores das receitas são chefs renomados do Brasil, dentre eles Monica Rangel, Carla Pernambuco, Morena Leite e Erick Jacquin. Esse contraste mostra que um produto tradicionalmente caseiro pode render grandes receitas, principal objetivo do livro.
Além de se promover de uma maneira criativa, a marca também aproveita para reforçar a existência do dia do miojo (25 de agosto). Isto tem dado certo com o dia da pizza, comemorado dia 10 de julho e digno de muitas postagens nas redes sociais. Dana Chmelnitsky, gerente de marketing da Pizza Hut Rs, diz que o estoque de alimentos é reforçado para a data – neste ano, esparou-se um aumento de 100% das vendas de pizza no dia, em que já foram vendidas mais de 15 mil pizzas.
História do miojo:
O miojo foi inventado no pós-guerra com a finalidade de suprir a falta de alimentos. Seu inventor, Momofuku Ando, passou a produzí-lo após notar as grandes filas que se formavam por seu povo para conseguir um pouco de sopa de macarrão. A invenção deu certo e o miojo virou um dos produtos mais consumidos no mundo. No ano da morte de seu criador (2007), o New York Times publicou o editorial Mr. Noodle reafirmando que o macarrão instantâneo foi uma das maiores invenções japonesas do pós-guerra.
Momofuku Ando levou sua empresa ao primeiro lugar mundial no setor. Eles chegaram a fazer uma versão especial do macarrão para ser levado ao espaço com o astronauta Soichi Noguchi. Além disso, criou um museu dedicado ao miojo.
Momofuku gostava de se pintar de dourado quando ia apresentar seu produto às grandes redes de supermercados.
Conte para gente sua receita de miojo no twitter @NewronioESPM ou nos comentarios aqui embaixo.
por henriquecm em quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Hoje saiu no site do estadão a notícia de que Rodas proibiu debates eleitorais dentro da USP. Como acontece com a maioria de coisas que ele faz, ninguém entendeu o motivo desta proibição, já que os debates eram organizados sem infringir as leis eleitorais (todos os partidos com candidaturas são convidados). Tentei entender por que a USP, como outras faculdades, tem um espaço tão grande para política e a ESPM não. Claro, ela tem muito mais disciplinas ligadas à política do que a ESPM – esse tipo de discussão não cabe em aulas de Design, por exemplo, mas é recorrente em Gestão de Políticas Públicas. De qualquer modo, é interessante uma faculdade se preocupar com o critério de voto de seus alunos. Um pouco de política nunca faz mal.
Os próprios centros acadêmicos da USP se organizam por orientação política, alguns possuem coordenadores ligados aos grandes partidos. Já nossa eleição do C.A. é decidida pela quantidade de comida de graça que uma chapa consegue bancar para os alunos. Não é uma crítica e nem estou defendendo o modelo USP – a rivalidade política deles é tão estúpida quanto nossa rivalidade com a GV. Algumas pessoas aproveitam o espírito de corpo de uma instituição para fazer coisas geniais, outras usam para gritos de guerra. Já estou me perdendo aqui, vou ao que interessa:
Coincidentemente hoje, após ler a notícia do Rodas, descobri, no Facebook, um grupo de debate político da ESPM. Henrique Calandra, criador e administrador do grupo, detalha-o na descrição:
Grupo de discussões sobre política para os alunos da ESPM
Esse grupo tem o objetivo de ter discussões sobre a politica brasileira e mundial contemporânea. Com o objetivo a curto prazo de ter encontros semanais na ESPM, além de esclarecer as dúvidas de todos sobre a politica.
Sejam todos bem vindos!! e não esqueçam É muito importante que todos participem e falem suas opiniões!
Dando uma olhada por cima já encontrei discussões interessantes sobre assuntos diferentes, todos ligados à política. O legal é que realmente tem muita gente discutindo por lá, os posts não são discussões entre as mesmas pessoas de sempre. Eu, que sou leigo, me surpreendi com o conteúdo dos participantes. Tem muita gente lá que parece manjar do que está falando. Um grupo assim na USP talvez virasse discussão partidária. O objetivo deste é diferente, ninguém está se atacando, só acrescentando uns aos outros. Conversei com alguns participantes: mesmo aqueles que não postam nem comentam no grupo gostam de passar por lá frequentemente para ver o que estão falando. Me disseram também que um grupo é um incentivo para ir atrás das informações e, assim, não ficar perdido nas discussões. Enfim, tem dado muito certo até agora, parabéns ao criador.
Eu já enviei minha solicitação para participar, e você? Comente aqui embaixo o que achou do grupo.
por henriquecm em terça-feira, 11 de setembro de 2012
#Sinapse por Henrique Castilho
Um rapaz desabafa com seus três amigos sobre sua vida amorosa. Há meses não consegue conquistar ninguém, pois é muito tímido.
O outro retruca: “Ah! Para de ser bixa, Carlos!”.
Um terceiro faz uma cara tão emburrada que os outros param de rir na hora:
“Esteves, não acredito que você disse isso. Um cara tão bem sucedido na vida com uma mentalidade homofóbica dessa? Acho melhor todos nós pararmos de beber cerveja com você”.
Em outro lugar do Brasil, Cláudia desliga a TV pois uma personagem de sua novela comprou lingerie para chamar atenção de seu pretendente. Ela correu pro seu twitter: “nunca mais assistam Mulheres Perdidas! o roteirista é um tremendo sexista!”.
Saiu nas críticas de cinema de um grande jornal: “Não acredito que um diretor tão consagrado coloca crianças dirigindo um carro no seu filme. O que ele quer com isso? Adolescentes inconsequentes dirigindo pelas ruas da nossa cidade? Lastimável.”.
Por um motivo que desconheço, os receptores mudam quando estão vendo propaganda. Pode parecer um absurdo, mas não consigo responder por que um filme (ou programa, ou novela…) não tem as mesmas restrições impostas pelo Conar para propagandas de TV. Um comercial de cerveja que mostrasse crianças bebendo não duraria duas inserções no ar. Mas ok se um filme o faz.
Os próprios publicitários já criaram um critério para a propaganda, mas não conseguem explicar o motivo. Acredito que, no Brasil, onde se tem um mercado razoavelmente imaturo para a propaganda (não tanto quanto a Rússia, mas longe de ser o mercado inglês), as pessoas ainda vêem filmes publicitários com olhos de predador, qualquer brechinha é oportunidade de ataque. O próprio termo “propaganda” tem caráter pejorativo – não raramente vem acompanhado por “enganosa”.
Talvez as pessoas acreditem que a propaganda sirva pra manipular a cabeça do consumidor, e que tudo que vem dela pode ser poderoso. Defendo a acusação com um clichê das aulas de propaganda: se comerciais conseguissem fazer a cabeça das pessoas, todo mundo usaria camisinha, ninguém pegaria dengue nem pararia do lado esquerdo da escada rolante no metrô.
Será que um dia veremos uma propaganda de vodka com crianças passando mal na festa de 15 anos da colega de sala? Ou abriremos a veja e encontraremos um anúncio com a cara desse da Bentley?
por henriquecm em quarta-feira, 5 de setembro de 2012
#Sinapse por Henrique Castilho
Poucos sabem, mas foi Ernest Hemingway que inventou o título publicitário. Não se sabe se foi um concurso literário, uma aposta entre amigos, ou um frila para uma vendedora de sapatos. Mas, certa vez, o autor foi instigado a escrever um conto com apenas seis palavras (seu melhor conto, segundo ele próprio).
“For sale. Baby shoes. Never worn.”
O conto ficou famoso e não é difícil achar concursos literários com esse mote. A Wired e a revista Piauí já fizeram, por exemplo. Sua ideia é fazer uma história se valer pela densidade de seu conteúdo, não pelo estilo. Concisão, sugestão e impacto são características do conto de seis palavras, mesmas características de um título publicitário. O próprio conto do Hemingway tem formato de anúncio. Seria ele um visionário? Acho que não.
Encontrei alguns contos pela internet muito legais. Também instiguei o pessoal aqui do ARENAS a escrever os seus. Eis tudo isso:
Alan Moore: “Tempo. Inesperadamente, inventei uma máquina do”
Orson Scott Card: “Eu vi, meu amor, mas minta, por favor”
Augusto Monterroso: “Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá”
David Brin: “Dinossauros retornam. Querem petróleo de volta”
Felipe Borges Valério: “- Desliga você. – Ah, desliga você primeiro” – sem o título não é a mesma coisa: “Eutanásia”