Com certeza você conhece o Dark Side of the Moon. Mesmo que nunca tenha ouvido na íntegra, é quase impossível não conhecê-lo devido à icônica capa da refração da luz ao passar pelo prisma ou às aparições e menções da obra prima do Pink Floyd na cultura popular.

A banda inglesa ficou conhecida pela inovação psicodélica trazida por Syd Barrett em “The Piper at the Gates of Dawn” até o seu desenvolvimento em “Atom Heart Mother” e “Meddle”. Mas é em 1973, com o lado escuro da lua que o psicodélico e o progressivo se permutam em perfeita harmonia e dialogam com os sentimentos do humano moderno.

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O disco deu início à “trilogia” dos clássicos irreparáveis do rock progressivo, os quais a banda melhor compunha como conjunto, estes que também incluem “Wish You Were Here”, de 1975 e “Animals”, de 1977.

Com suas particularidades, cada disco discute a relação das pessoas com a sociedade moderna, com correntes filosóficas, psicológicas e sociais que traduzem a “incompletude” dessas pessoas. A partir deste conceito,  o diretor e animador Ian Emes foi contratado para fazer as gravações do telão para a turnê do álbum em 1974.  O artista havia trabalhado inicialmente com a banda na concepção das artes de “One of These Days”e posteriormente com Roger Waters em sua turnê solo do “The Wall”. As imagens criadas por Ian continuam sendo utilizadas até hoje por Gilmour e Waters em seus respectivos shows, dada à maestria em transformar o sentimento do álbum em algo visual.

Na animação, imagens de um hospital (aparentemente psiquiátrico) são exibidas ao passo que as batidas e os sons de Speak to Me são sincronizados com pequenos relances das sensações que o álbum procura evocar. Um grito progressivo anuncia a harmonia de Breathe (In the Air), esta que conta com as imagens da banda nas apresentações ao vivo. Os sintetizadores acompanham uma câmera em movimento em “On the Run”, esta que mostra diversas perspectivas que remetem à nova percepção de velocidade na atual sociedade, assim como os sons de passos correndo na montagem do áudio. Uma explosão une o final de “On the Run” com os “tic tacs” da introdução de “Time”, música que o próprio Ian admitiu possuir uma fascinação ímpar, de modo a imortalizar a sequência de relógios de ponteiro ao longo do início da canção. “The Great Gig in the Sky”, música fruto da parceria entre o tecladista Richard Wright com a cantora Clare Torry, dá continuidade com o solo vocal mundialmente conhecido. Vídeos de moedas caindo, consumismo e pobreza ilustram o hit “Money”, enquanto o sentimento de solidão em meio à multidão é trazido a tona com o “Us and Them”. “Any Colour You Like” e “Brain Damage” não possuem animações, esta que retorna apenas na última faixa “Eclipse”, mostrando as mesmas imagens do começo, reafirmando o ciclo das insatisfações e humanas, muitas vezes incompreendidos e tratados como insanos.

Também foi divulgado a animação de um show na França, no ano anterior. Ela conta com versões mais simples das apresentadas na turnê norte americana.

Roger Waters compreende a importância do design nas grandes telas de shows, como evidenciado na performance de “Pigs (Three Different Ones)”, tocada na Cidade do México em protesto à posse do presidente americano Donald Trump.

Crítico mirim, desenhista amador, escritor júnior e futuro quadrinista (se tudo der certo).