Quem joga videogame, principalmente RPG ou aqueles de mundo aberto, sabe bem como é passar dezenas de horas na própria companhia. Contemplando essa situação frequente, Jacob Geller publicou um vídeo em seu canal no Youtube, onde divaga um pouco sobre a relação que mantemos entre esses universos solitários e nós mesmos.

É um consenso que jogos de mundo aberto mais recentes como Red Dead Redemption, The Witcher 3 e The Legend of Zelda: Breath of The Wild, podem ser perfeitamente descritos como “vivos”, uma vez que os elementos do mundo tornam a imersão quase que absoluta, com pessoas, animais e criaturas coexistindo com vegetação, cidades e paisagens de tirar o fôlego.


Red Dead Redemption 2

 


The Witcher 3: Wild Hunt


The Legend of Zelda: Breath of The Wild

Mas mesmo com todos esses jogos tão vívidos e recheados de detalhes, o jogador relatou que existiam longos momentos (especificamente em Red Dead, na área desértica após o fim do game) de pura solidão onde ele poderia refletir mais sobre si mesmo.

E ele percebeu que esses momentos solitários eram justamente os momentos onde ele sentia mais vida no jogo, onde conseguia imprimir significado sobre o vazio e o silêncio ao seu redor.


O protagonista “Lone Wanderer” e o cachorro “Dogmeat”, no jogo Fallout 3

Eu, como gamer e fã de RDR2, devo dizer que concordo bastante com o que foi dito no vídeo. Esses momentos de introspecção são as situações que mais me fazem sentir uma maior conexão com o jogo, é o momento que eu simplesmente cavalgo pelo deserto como se realmente fizesse parte daquele mundo.

A simplicidade, a pequena silhueta do personagem no meio daquele imenso mundo traz uma sensação de pequenez pessoalmente imersiva e traz mais humanidade para aquele universo artificial. É quando eu entro em contato com o jogo e posso contemplar a minha relação com ele e comigo mesmo. São justamente esses momentos de solidão que tornam o jogo mais vivo.

Jacob Geller também relaciona essa situação de solidão artificial com a obra “Alone Together” do artista grego Aristotle Roufanis, que reproduz imagens impressionantes sobre a solidão em montagens com inúmeras fotografias. Assim como no vídeo, recomendo que você aumente a luminosidade da tela do seu celular, tablet ou computador para poder melhor conferir as fotos.

Por conta da quantidade hercúlea de fotos, é possível dar zoom nas imagens com uma perda de qualidade muito reduzida. O que pode ser melhor observado ainda no portfólio do artista.

Observar as solidões individuais dessas pessoas por meio de suas janelinhas nos faz pensar sobre quem elas são e como elas fazem parte do mundo ao seu redor.

Eu pessoalmente gosto de pensar sobre quais jogos essas pessoas podem estar jogando.

 

Baiano, amigão da vizinhança, ecochato, escritor amador e mestre pokémon nas horas vagas.