A definição de música é perfeitamente discutível, nem sempre precisam ser harmoniosas e/ou expressivas. Apenas uma coisa é verdade: a palavra se trata de sons.

Atualmente, a realização de espetáculos e videoclipes grandiosos tornam mais tênue a linha entre o sonoro e o visual na relevância dentro da música. Além do cinema com suas performances ao vivo e posteriormente a vitrola acoplada ao projetor, a longa relação música/imagem ganhou um importante influenciador no ano de 1938: as capas de disco.

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Antes de 38, as embalagens dos discos eram puramente utilitárias, vinham cobertos com papel ou papelão para proteção. Mas a contratação de Alex Steinweiss pela Columbia como diretor de arte para capas de álbuns mudou o rumo da música. As vendas dos álbuns explodiram, as lojas de discos mudaram a forma de disposição (de modo que o cliente tivesse que “folhear” os vinis) e o mercado apenas acompanhou a tendência.

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As capas tornaram-se uma espécie de “vitrine” sobre o conteúdo do disco, a linguagem visual nos ajuda a decifrar o tom e o som dentro do disco. Além de alterar a maneira de consumir música, não demorou para que a tendência comercial se voltasse à exposição dos artistas na capa. Assim surgem as “capas de personalidade”. Como exemplos influentes dessa tendência que se mantém até os dias atuais, podem ser lembrados: Please Please Me, dos Beatles; Bad, de Michael Jackson; Elephant, do White Stripes e os álbuns do Mac Demarco.

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Em 1967, o Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles não revolucionou apenas a música e o estilo da banda britânica, mas também a história das capas como linguagem. O álbum traduz com perfeição o espírito lisérgico da banda em tal momento revolucionário. A arte, além de convidar o ouvinte à identificar os rostos da capa, mistura elementos da cultura popular com a erudita (refletindo no que a banda se tornara após o álbum).

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E com a mistura de personalidades, o álbum foi o principal marco na transição das capas de discos como ferramenta de marketing para arte. Posteriormente, bandas como Iron Maiden, Megadeth e Gorillaz optaram por utilizar personagens em suas capas como forma de expressão da “alma da banda”, enquanto bandas como Pink Floyd, Radiohead, Joy Division e Led Zeppelin optam pela utilização das capas de álbum como linguagem conceitual, de modo à agregar valor artístico às obras.

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Crítico mirim, desenhista amador, escritor júnior e futuro quadrinista (se tudo der certo).