Conhecido por revolucionar a animação japonesa e a indústria cinematográfica em geral, o Estúdio Ghibli é responsável por cativar, emocionar e despertar a imaginação de milhões de pessoas, não importando a idade ou nacionalidade.

Seu principal fundador e influenciador, Hayao Miyazaki, foi responsável pela visibilidade do Japão no universo das animações, com Castelo no Céu (1986) e Meu Vizinho Totoro (1988).

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O grande trunfo de Miyazaki e do estúdio como um todo, está na tentativa bem sucedida de aproximar, por mais fantasioso que seja, o universo da animação com a realidade. A palavra animar significa “dar vida” e não é à toa que filmes como A Viagem de Chihiro (2001) e Princesa Mononoke (1997) são cultuados como grandes clássicos do cinema, além do sucesso e visibilidade recente de Vidas ao Vento (2013), O Conto da Princesa Kaguya (2013) e Memórias de Marnie (2014).

Mas como tornar real toda a fantasia criada nos filmes do estúdio? Existem duas características essenciais que diferenciam as animações de Miyazaki e cia das demais.

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A primeira refere-se aos detalhes de movimentos nas cenas, seja por meio de interações mínimas com o cenário, uma atividade pequena que é realizada maneira realista, a influência do vento no cabelo ou na roupa dos personagens, os figurantes, as expressões faciais e tudo que simula a física e reações do universo real. Esse “realismo imersivo” contribui de maneira ímpar para a maravilhosa cinematografia das animações do estúdio.

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Outra característica é a capacidade de Miyazaki em capturar e transpor a essência humana por meio de seus personagens. Nenhum é completamente bom ou mau, são apenas construções de cargas emocionais e psicológicas que se manifestam nas claras expressões faciais e, dentro do contexto das histórias, em elementos fantásticos. O personagem sente, se emociona, sofre, ri, reage e é puro reflexo dos nossos próprios sentimentos, mas expressado por meio da linguagem única da animação.

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Deste modo, os filmes do Estúdio Ghibli (junto à Akira e Ghost in the Shell) não apenas quebram os paradigmas das animações japonesas, como também apresentam universos fantasiosos únicos, os quais evidenciam e valorizam a importância da imaginação.

Crítico mirim, desenhista amador, escritor júnior e futuro quadrinista (se tudo der certo).