Por que personagens xingam? A primeira vista nos parece que apenas para demonstrar quando alguém está bravo ou para criar humor. Mas nem sempre é esse o caso, xingamentos podem ter muito mais propósito em um roteiro.

Para analisarmos o seu uso e sua função no cinema, é preciso entender a origem do termo. A princípio, “xingar” surgiu de “blasfemar”, portanto os primeiros xingamentos eram ofensas à Bíblia. Desse modo, tal linguagem era evitada já que acreditavam que poderiam ser punidos por Deus por cometer esse pecado. Consequência disso é o insulto como ameaça, sendo qualquer xingamento praticamente mortal.

Hoje em dia, a situação é bem diferente. Xingamentos são quase banais e aparecem com muita frequência nos filmes. Apesar disso, eles ainda trazem um sentimento diferente, sendo insubstituíveis no roteiro. Por exemplo:

Se o verbo tivesse mudado para qualquer outro, o resultado não seria mesmo.

Na maioria dos casos, palavrões são associados à personagens sem controle, quando alguém perde a cabeça.

Apesar de muitas vezes ser o caso, um personagem pode muito bem estar sob controle e xingar. No filme Fargo, o protagonista é constantemente insultado por outros que estão sob seu controle: seu chefe, seu filho, pessoas o cobrando. Até que chega o momento em que ele perde a paciência e ataca alguém verbalmente, de maneira ridícula.

Em “Nascido para matar” o sargento é quem comanda a cena, e é ele quem insulta.

Até mesmo em filmes com palavrões em praticamente toda cena, quando o roteiro é bem feito, existe sempre um propósito ou um motivo para a linguagem. Xingar a toa não tem graça.

Até mesmo em “Superbad” as ofensas tem propósito. Na cena acima Seth está sendo humilhado por todos na festa, então quando ele procura o banheiro e alguém lhe responde sarcasticamente ele perde a paciência.

Em “Silêncio dos Inocentes”, Hannibal Lecter usa de um palavrão para tentar deixar a detetive Clarice desconfortável. Fazendo-a repetir “I can smell your cunt” para ver se ela perde sua compostura. A detetive aguenta as constantes ofensas do canibal, sempre respondendo calma e educadamente.

Por fim, os palavrões quando bem utilizados sempre possuem um efeito. Seja esse o humor, uma revelação, a resolução de uma disputa ou a demonstração de controle. As palavras possuem poder, os palavrões ainda mais.

 

 

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